sexta-feira, 31 de agosto de 2012

relatório 04


acontece com um monte deles. eles escolhem uma pessoa pra ficar no lado toda vida e fazer coisa junto. é um macho e uma fêmea normalmente. eles se veem daí se acham bonito e tudo ou um fala uma coisa que o outro gosta, sabe? daí começam a ficar sempre grudado, tocando boca com boca, quadril com quadril. se tocando mesmo. é um tipo de metamorfose. trocam umas argolinha de ferro que custa bastante dinheiro só pra marcar aquela pessoa como já sendo de alguém. eles carregam as argolinha no dedo e depois eles trocam por outras argolinha que custa mais dinheiro. daí quando eles vão entregar estas argolinha um pro outro eles tem que assinar uma papel dizendo que eles são um do outro (isso se quiser, pra ser um do outro, oficial mesmo, pelas lei). alguns deles fazem um ritual . o macho coloca roupa preta, assim bem arrumado e a fêmea uma roupa enorme de grandebranca. entram num lugar assim cheio de gente conhecida só prum outro lá dizer que eles são mesmo um do outro e se tiver alguém contra isso pode falar ali mesmo sob o olhar de deus todo foderoso e do seu abençoado filho que morreu por todos nós. nunca ninguém fala. daí eles se juntam  num mesmo lugar e têm filhote e consegue mais dinheiro e cansam um do outro.
depois uns deles se separam e procuram outra pessoa pra ficar junto pra sempre. outros ficam com aquele ali mesmo que é mais seguro e depois se acostumam e morrem assim.
é um horror.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

relatório 03


eles ficam de mal comigo, eu acho. nem sei por que. a linguagem deles é diferente, ou é a minha que é. eu tento aprender mas não dá. daí eu falo alguma coisa na linguagem deles que eu entendo como uma coisa diferente. aí eles entendem mal e eu falo mal e ninguém se entende. eu mando sinal pelas antena e é a mesma coisa que nada. mas eu percebo que quando eu faço isso um pardal pousa no fio aqui perto. um peixinho dentro do aquário chega mais perto pra me olhar assim de perto. eles não. eles pensam na linguagem aquela que eu não sei direito e vão pra longe. e como eu não chego perto também a gente acaba ficando bem longe. é um código doido. o que eu aprendi eu aprendi bem devagar. passoapasso. uma coisa de cada vez: di-da-ti-ca-men-te. só que não dá pra aprender tudo assim. tem coisa que eles sabem de cabeça desde sempre. tem coisa que eu sei de cabeça desde sempre. e o que ta na cabeça deles não entra na minha. e o que ta na minha cabeça não entra na deles.
não sei se deu pra entender. deu?

terça-feira, 28 de agosto de 2012

relatório 02


não sei ainda por que os machos não usam saia e as fêmeas não usam calça. ta bom, elas usam calça também, mas por que os machos não usam saia? é uma possível evolução futura dessa raça. uma coisa bem comum aqui é gritarem, olha, ele faz coisa de mulher, e logo depois caírem na gargalhada. algumas dessas vezes eu ri também pra gostarem de mim. eles fazem uma brincadeira e eu faço uma brincadeira também e todo mundo fica brincando por que o outro ali faz uma coisa de mulher. é assim que acontece.
o toque de recolher aqui fica à cargo do sol (como eles chamam). ele sobe, eles sobem. ele dorme, eles dormem. quando ele dorme eu fico trancado dentro de uma caixa de concreto com algumas entradasaídas. fico andando e sentindo frioucalor dependendo da percepção que o meu corpo humano tiver do ambientexterno. todo mundo então ta sentindo frioucalor igual eu, eu penso. por que todoscorpos tem uma disposição só né. por dentro é pulmão, fígado, estômago, baço, testino, etc. por fora é olho, mão, perna, pele e tudo isso aí. se nasce um corpo em que falta alguma coisa ou em que sobra alguma coisa é um corpo doente e durante a vida vai fazer algumas coisas meio diferente sabe? aí dependendo do que sobra ou falta ela pode durar igual uma pessoa que tem tudo que tem que ter. tem até uns jeito agora pra fazer elas durarem mais. depois disso todo mundo morre: começa de novo, com novas pessoas.

Disfarce (relatório 01)


entre a boina e as antenas parece que eles preferem a boina. eles matam bicho com antena. eles pisam em cima. não que eles sejam grandes. os bicho com antena é que geralmente são pequenos. daí muitas vezes eles matam sem nem saber. outras vezes eles arrancam uma perna ou uma asa, ou até mesmo uma antena (!!!) pra ver quanto tempo o bicho dura assim. eles fazem isso e colocam o bicho assim entre o indicador e o polegar (os nome que eles deram pros dedo ó) e seguram na frente dos olhos pra ver se o bicho derrama uma lágrima ou faz alguma cara de dor sabe? mas o bicho nunca faz. ele morre bem quieto. ele não é bobo. daí eles jogam o bicho morto no chão. com o tempo o chão come o bicho morto. ou vem mais um monte de bicho com antena (quase sempre bem menores que o bicho morto) e comem ali mesmo eu acho. pode ser também que eles tirem uns pedacinhos bem pequenos e levem pra dentro dum buraco na terra que é onde eles moram. acho que eles guardam pra comer depois aí. não sei. e é por isso que eu to usando boina.

domingo, 26 de agosto de 2012

Poetando (!)


um locutor de olhar sublime. boa noite queridos ouvintes. Estamos aqui hoje com nosso poeta e grande amigo já aqui do nosso programa, senhor Paulo Stephan, boa noite Paulo. olá, olá ouvintes da rádio, prazer vir mais uma vez a esse programa maravilhoso, bem amado e edificante, agradeço pela grandiosamorosa oportunidade. a gente que agradece. pode começar então com aquele que tu tava me mostrando ontem. eu to com borboletas na alma por causa dele. sim, eu tava pensando nele agora mesmo. foi dedicado a uma pessoa: viu? é pra ti, eu sei que tu sabe que é pra ti (falando com uma possível ouvinte emocionada em algum lugar.)

Minha querida
Sentado no meu sofá
Olhando pro teto
Nele eu vejo teu rosto a sorrir
Pedes-me pra ficar
Teus olhos são estrelas, teu sorriso o sol
Possível é pensar algo mais ao contemplá-los?
Eu – te – amo
Te amo com a ternura da infância
Com o pecado de toda paixão humana
Eu – te- amo
E o meu amor é azul como seu olhar
Azul como o céu
A ti me vou
...

lindo, lindo, Paulo. essa doçura sempre presente nos teus poemas né? é a minha inspiração, meu amigo, poeta que sou. antes que eu me esqueça gostaria de pedir pros ouvintes me adicionarem lá no fêice. só procurar Paulo Stephan. Stephan. ésse-tê-é-pê-agá-a-êne. tem muito mais poesia lá, pra encantar seu dia. se quiserem adquirir meu livro, Poetando, é só entrar em contato pelo mural lá no fêice.
isso aí meu amigo. vamos pros nossos patrocinadores agora e depois voltamos com mais poesia de Paulo Stephan. já, já, não deixem de ouvir e se emocionar, hehe.

sábado, 25 de agosto de 2012

Pra sempre



sobre os bons amigos. gostaria de dizer antes de tudo que a amizade é duradoura por um natural entrelaçamento de mentiras e meias verdades formando dessa forma uma espécie de obra de arte já pronta onde falta apenas a assinatura do autor seja ele o verdadeiro ou o falso. assinemos. e amém pra mim.
por que tu andassim esquisito ultimamente? dá bola pra mim não. e vê se tira a mão da minha mão. ta sabendo que a entrada da cidade vai mudar lá pronde era a periferia? a cidade vai andar com a cabeça e pensar com as perna parece. magina aquele monte de coitado que pagaram super caro por um apartamento central. eles vão ser periferia agora. aposto que nem tão procurando uma gangue ainda. a gente tem que ter postura central agora, shuaha. poisé, eu ouvi falar. tão até asfaltando umas rua lá perto né? aham. mas agora é sério. por que tu andassim meio esquisito ultimamente?
não é tu, sou eu. ta bom pra ti assim? aham. ótimo, agora tira a mão da minha mão.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O principal problema


o mundo é injusto não por causa dos milhões de miseráveis. esfomeados. barrigas de vermes. peitos murchos empoeirados. não. não.
é que o cebolitos não tem gosto de cebola. é que eu com o meu cebolitos na fila do supermercado não ganhei a glória de passar na frente do casal com suas imensas compras de casal. é que o cebolitos custando R$ 2,02 eu entreguei R$ 2,10 e o caixa me devolveu R$ 0,05. eu escolheria uma bala de café se me perguntasse. falta de consideração. a bala de café não custa R$ 0,08. só que poderia custar se o cliente sempre tivesse razão. ei querida, a bala de café custa os R$ 0,08 exatos do meu troco, né? sim, senhor, bem lembrado. o senhor é muito inteligente e bonito. bem, são seus olhos azuis, minha linda.
mas o mundo é injusto.

Lição de vida


é inspirador quando um poeta consegue deixar a casa da mãe por que escreveu o poema imortal.
mãe, o poema aquele, eu mandei pro editor. ele adorou. meu rapaz, ele disse, você (ele é lá de Sampa, lá onde eles gravam novela e tudo) é provavelmente a grande voz literária deste século. to indo pronde as coisacontece, mãe. sabia que um dia tu ia ser o orgulho da família. manda notícia, e dá um abraço no Faustão por mim. vê se bota um óculos nessa cara pra ficar mais com jeito de poeta. e bota a camisa pra dentro também. ta bom, mãe. qualquer coisa pede ajuda pro pessoal da televisão que eles gostam de artista. e ele entra num carro preto com vidros pretos. assim parte pro futuro. luz no fim do túnel. a vizinhança alegre se despede.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Conciliação


vizinhos brigam por causa do chuchu que atravessou a cerca. tire o seu chuchu da minha propriedade, seu mau!! ninguém respeita ninguém nessa cidade? de fato, hoje é um chuchu, amanhã pode ser uma melancia. ninguém precisa se exaltar. um processo vai demorar anos pra ser concluído. aquele olhar conciliatório da juíza deixa qualquer um nervoso. eu só falo sobre chuchu na presença do meu adêvogado.
estamos presentes na presença da justiça de Deus e dos homens. cara, a gente pode fazer um sopão comunitário de chuchu. é fácil, rápido e alimenta bem. tem sustança, como diria a minha mãe. susshtança!!

domingo, 19 de agosto de 2012

Manifesto


minha gente.  dá pra fazer bandeira com qualquer coisa mesmo. a melhor bandeira do mundo seria uma toda branca com a minha cara flutuando lá dentro. a boina cinza meiscurecida por que a foto original foi tirada na frente do banheiro. meio da noite. só a luz amarela do quarto brilhando. recorte malfeito. arrancando a cabeça do contexto em que a cabeça ta. balançando a minha cabeça na esquina da praça XV. beija a bandeira moço, ela ta bem limpa e olha que linda ela é.

Mosca grande


criança de bicicleta na rua. lindinha como a larva de uma mosca.
quando eu crescer eu vou ser grande que nem aquele hômi ali. o hômi é grande que nem o inferno deve ser. e olha que o inferno é grande que eu sei. tem um monte de demonho bem grande lá dentro. mostrou no desenho os demonho. um mais feio que o outro. com beição e chifrão. quando eu ficar grandassim eu vou comprar o aviãozinho de controle remoto que o Seu Oscar faz. custa maidemil. nem o pai tem dinheiro assim. ele disse que não.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O Menino


el niño: o menino: aquecimento anormal daságuassuperficiais e subssuperficiais doceano pacífico equatorial. turista fêmea fala pra turista macho na beira da praia enquanto este último bebe lentamente de uma lata de kaiser e abre o pote de sorvete cheio de farofa de galinha. mô, notou a mudança dos padrões do vento e o aumento de temperatura por aqui? poisé, ele responde, tava pensando nisso nesse exato momento, deve ser o el niño, né? alcança a colher aí que ta debaixo do bronzeador de cenoura.

Jingle


vamolá que eu pago cinqüenta pila mas tem que ser bem popizinha. aquela da novela é boa. todo mundo com a cabeça nela. ela na cabeça de todo mundo. aí as pessoa vão decorar meu número. elas vão pra frente da urna e ficam cantando. muito melhor que usar papelzinho. reclamam mas gostam. mão na roda. o volume faz parte. aprendi na igreja mundial do reino de deus. televangelismo foia maiorinvenção depois do fogo. as criança tudo cantando a musiquinha do tio do som. aquele com a foto da simpaticíssima pessoa sorridente no vidro do carro. taram taram.

Um. Depois outro.


Fila de espera do dentista. Ele lê as dicas de saúde bucal da parede.
Escovar os dentes é uma chatice, assim como todo o processo digestivo. O ideal seria 63 mastigadas pra cada porção enfiada na boca. Tentei já. A comida vira um suco. Suco de arroz, feijão e carne moída. Olhando parece extremamente nojento. Ninguém diria só olhando que teria sabor de arroz, feijão e carne moída. Tentei uma vez só. Haja paciência. É possível escrever um romance descrevendo o trabalho que os dentes fazem na pequena porção de comida durante as 63 mastigadas. Na última é dente com dente. Escovar os dentes é uma dissertação. Introdução, desenvolvimento e conclusão.
Sem bolsos nas calças nem na blusa, restam  a ele duas opções: cruzar os braços ou imitar o João bobo da frente dos postos de gasolina.
Mulher tem mais facilidade de lidar com situações parecidas. Vê a moça que simplesmente apoia o peso do corpo na perna direita. Os bolsos das calças são apertados demais até para as mãos dela. O cartão do plano de saúde ali. Ela sabe o que fazer com as mãos. No lado do corpo. Nem parecem coisas supérfluas. Peso.
Um atendimento até a vez dele no balcão. Ele apanha um folheto anunciando os novos cursos de idiomas na cidade:
Tem até italiano e francês.