quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Um. Depois outro.


Fila de espera do dentista. Ele lê as dicas de saúde bucal da parede.
Escovar os dentes é uma chatice, assim como todo o processo digestivo. O ideal seria 63 mastigadas pra cada porção enfiada na boca. Tentei já. A comida vira um suco. Suco de arroz, feijão e carne moída. Olhando parece extremamente nojento. Ninguém diria só olhando que teria sabor de arroz, feijão e carne moída. Tentei uma vez só. Haja paciência. É possível escrever um romance descrevendo o trabalho que os dentes fazem na pequena porção de comida durante as 63 mastigadas. Na última é dente com dente. Escovar os dentes é uma dissertação. Introdução, desenvolvimento e conclusão.
Sem bolsos nas calças nem na blusa, restam  a ele duas opções: cruzar os braços ou imitar o João bobo da frente dos postos de gasolina.
Mulher tem mais facilidade de lidar com situações parecidas. Vê a moça que simplesmente apoia o peso do corpo na perna direita. Os bolsos das calças são apertados demais até para as mãos dela. O cartão do plano de saúde ali. Ela sabe o que fazer com as mãos. No lado do corpo. Nem parecem coisas supérfluas. Peso.
Um atendimento até a vez dele no balcão. Ele apanha um folheto anunciando os novos cursos de idiomas na cidade:
Tem até italiano e francês.

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