domingo, 30 de dezembro de 2012

relatório 35


eu quando acordei eu olhei no espelho. a gente sempre tem alguma coisa esquisita quando acorda e olha no espelho. hoje eu tinha um bicho com asa grudado no cabelo. ele tava morto. nem dava pra ver quase. passei a mão e ele caiu na pia. liguei a torneira e ele foi embora pelo buraco da pia. aqueles bicho não serve nem pra feder quando morre, mas eles come outros bicho que come outros bicho que come outros bicho. por isso eles existe.
de repente os bicho igual que morava com ele viram ele preso no cabelo e não acharam nada. desde que ainda tenha dos nossos pra comer outros bicho ta bom, eles disseram decerto. é um estômago a menos só. o importante são os negócios. aí passaram voando, cumprimentaram ele ali preso e disseram: não se preocupa, fulana colocou um monte de ovo ontem, não vai faltar mãodeobra. aí o que tava no meu cabelo gritou: beleza, vizinho, já tava ficando agoniado de preocupação aqui, hehe. aí ele morreu e não fedeu e nasceu mais um montão pra comer no lugar dele. tudo calculado faz tempo já. não existe falência presse pessoal.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

relatório 34


e disse Pagodemos:

Imaginem, meus amigos, neste momento, que vocês estão segurando um delicioso sorvete de morango (as pessoa levantaram as mão igual quem ta segurando uma casquinha com sorvete de morango). Este sorvete é cremoso, tem sabor de morango porque é um sorvete de morango, claro (risadas. tem gente que já começa a cansar de segurar o sorvete de morango), às vezes ele é tão gelado que quando o colocamos na boca chega a doer, não é? Por isso temos que aproveitá-lo com calma, passando a língua suavemente sobre sua superfície e engolindo-o em quantidades controladas, mas sem nunca parar; o que acontece se pararmos? (ele aponta o dedo pruma mulher de cabelo liso, magra, loira e de óculos de sol, que já deixou o sorvete de morango cair na roupa pra coçar o joelho direito.todo mundo falou junto: derrete, teve uns que falaram: ELE derrete). Isso mesmo, o Pagodemos continuou, então temos que aproveitar este sorvete de morango que se chama VIDA, engolindo-o  em quantidades controladas mas sem nunca parar de engoli-lo, sob o risco de deixá-lo derreter lambuzando nossos dedos e nossa roupa; ninguém compra um sorvete de morango com esse objetivo, vocês compram? (nããão, em coro, bem musical). Imaginei, imaginei, ele continua. Aproveitem cada momento dos seus sorvetes de morango, de minuto a minuto ele derrete e queremos, quando chegarmos na casquinha crocante, a satisfação de ter tudo limpinho, limpinho, hehe. (quando ele terminou e ficou dez segundos sem falar nada todo mundo largou os sorvete de morango pra coçar o nariz. e o Pagodemos nem tinha segurado o dele ainda. tava derretendo já ali em algum lugar perto dele)

sábado, 8 de dezembro de 2012

relatório 33


o céu ta sempre vazio. quase sempre. quase tododia tem nuvem branca no céu, às vezes elas tão quase preta, aí é porque vai chover, mas às vezes não chove. de noite fica o céu escuro e quando não tem nuvem a gente consegue ver as estrela, um monte delas, flutuando bem lá em cima: onde mora gente igual eu: tem uns que tem como olhar lá de longe pra cá e ver tudo bem de perto. eles ficam olhando eu olhar e ficam pensando: eu te vejo e tu não me vê. eu fico pensando:  já que tu me vê, olha este corpo louco que eu tô, shuashua. e mostro os tentáculo que eu tenho na ponta dos braço, os dez. eles olham e ficam rindo lá com eles. pra eu saber que eles tão vendo tudo eles ficam se mostrando em areia da praia em desenho pequeno, eles ficam fazendo desenho grande em plantação, eles ficam aparecendo voando, às vezes jogando uma luz forte na cara das pessoa. elas ficam assustada ou nem param pra pensar nisso, elas tem que trabalhar daquiapouco. e eu também sempre tenho que trabalhar daquiapouco: eles tão olhando e rindo disso também.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

relatório 32


quando dorme a gente tem sonho, em qualquer planeta que se dorme. quem estuda os sonho diz que até quando a gente pensa que não teve sonho a gente teve sonho. eu sempre sonho que to numa plataforma no meio das estrela e que tem um palhaço correndo pra me pegar (palhaço é gente que pinta a cara e sai rindo e fazendo tudo que as pessoa daqui faz, E RINDO, essa é a parte assustadora). mas daí eu falo: pra fugir desse palhaço eu tenho que voar. eu saio voando e o palhaço começa a me xingar lá da plataforma no meio das estrela e a levantar os punho assim pro alto me ameaçando que vai me pegar e quando me pegar (-). aí o sonho acaba e o palhaço continua risonho na plataforma. mesmo xingando com raiva ele não parava de rir. esse palhaço tenta me pegar na rua onde fica a casa onde eu moro também. ele vem correndo lá da esquina e eu corro rápido com um monte de fôlego porque a rua não acaba nunca e eu to correndo sempre e sem morrer. só que numa hora a rua acaba e eu digo: hora de voar. eu saio voando e o palhaço xinga de novo e levanta os punho e ameaça as mesmas coisas de sempre: tudo rindo. e quando eu acordo eu vejo que ta escuro e que o palhaço não consegue me enxergar igual eu não consigo enxergar ele. 
e ta na paz já eu acho. acho que a gente agora corre mais por esporte que os médico sempre diz que é bom pra viver mais e tudo. "Manter o corpo hidratado e uma dieta bem balanceada; quanto mais colorida a refeição, melhor": isso também ajuda.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

relatório 31


Corvejária me chamou lá num canto. falou assim: tu não quer namorar comigo? eu lembrei dos homem e mulher de mão dada na XV, sentados lá, se lambendo às vezes, às vezes cada um olhando pra própria frente e se lambendo de novo. andando pra caramba de mão grudada mesmo. um não pode andar mais rápido que o outro senão é ruim, cansa e eles podem tropeçar também. aí eu acho que antes deles sair andando assim eles combinam: ó, perna direita primeiro, no três: um, dois, três. se não dá certo eles brigam. tu não me compreende, era pra ser no três, eles falam, não posso ficar com uma pessoa assim, eu mereço muito mais. aí se separam e não voltam mais, ou volta mais tarde. tem uns que fala: vou ficar contigo pra sempre já que ninguém consegue começar a andar com a perna direita primeiro, no três.
ta. aí a Corvejária falou: tu não quer namorar comigo? aí eu pensei rapidão e disse: claro que não. ela fez cara que ia chorar e falou com a voz trancadabafada bem baixinho: purquê??? cara, purquê??? no último purquê ela bateu forte o pé no chão e depois respirou bem forte esperando eu falar. aí eu falei: não gosto de namorar. ela saiu bem rápido e sumiu. as unha dela ela roía e tavam bem curtinha e pintada de roxo tudo descascado. aí uns dia depois eu fiquei sabendo que ela fugiu de casa com um namoradinho aí. tão dizendo que eles foram prum outro estado (atravessou uma daquelas linhas que tem nos mapa). o pai dela deixou uma folha com a cara dela num monte de lugar pra ver se alguém vê ela. acho que ela vai voltar com uma larva de gente na barriga, comendo a comida dela e crescendo até andar de pé com as duas perna. a Corvejária ainda aparece.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

relatório 30


eu fui obrigado a botar uma camisa preta com os botão fechado até em cima e uma calça preta também. amarraram uma gravata vermelha no meu pescoço por que as pessoa gostam que fique assim um pedaço de pano balançando pralá e pracá quando a gente anda. aí eu entrei junto numa fila de gente. homem tudo igual numa fila. mulher tudo igual na outra. só mudava a cor da roupa. a gente entrou depois das mulher, todo mundo andando bem devagarinho e as pessoa sentada nos lado cheio de gente tudo batendo uma mão na outra ao mesmo tempo. aí a gente sentou também nas cadeira que tinha pra gente sentar e foi umas pessoa na frente falar no microfone (aquele que faz gritar). falaram um monte de coisa; que vocês chegaram até aqui com muito suor; que vocês tem um futuro bem bonito pela frente; que vocês tem que continuar se esforçando cada vez mais; que vocês embora estejam saindo do nosso convívio escolar pra alçar voos mais altos, sempre vão estar na nossa lembrança e num lugarzinho especial aqui no peito; que uns aqui vão ser professores, outros vão ser vigilantes, outros carteiros, manicures, diplomatas, médicos, mas pra nós vocês sempre vão ser aquelas crianças e adolescentes ma ra vi lho sos que cresceram sob nossos olhares protetores; que qualquer coisa a escola vai estar de portas abertas pra vocês, qualquer coisa é só chamar sem hesitação. depois teve musiquinha, brigado pelatenção, fiquemprafesta. continuou a musiquinha e todo mundo teve que levantar e ir lá pegar um papel enrolado bonito, apertar a mão de um monte de gente e tirar foto com todo mundo. na minha hora veio uma luz na cara e eu tremi todo  e pensei que ia cair nas escada pra subir lá com eles. peguei o papel enrolado e tirei foto risonho com a velha entregadora de papel, ela perguntou: ta nervoso? eu respondi: mais ou menos. a foto foi bem na hora que eu tava falando "ou" e rindo pra luz da foto tudo na mesma hora. aí eu desci lá de cima com as pessoa fazendo barulho e fiquei esperando pelas próxima briga parecida que iam vim. depois elas vieram mesmo, e continuam vindo ainda. não dá nem tempo de parar de tremer.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

relatório 29


e disse Pagodemos:

Há duas coisas que ninguém perdoa (todo mundo quando ele falou isso já se preparou pra bater palma porque sabia que ia vim uma frase bonita de bater palma), suas vitórias e seus fracassos, sugiro então, que daqui em diante os senhores e as senhoras assumam o compromisso de não se deixar abater por qualquer coisa que não surja de suas próprias consciências. bonito isso né? (segurando o microfone com as duas mão e olhando pra platéia pra todolado. rindo sozinho.) Seu Prestimoso bateu uma mão na outra, esperou um segundo, bateu outra vez uma mão na outra e daí ele foi diminuindo o intervalo da bateção e todo mundo bateu uma mão na outra junto com ele. um rapaz assobiou alto no meu lado colocando  os dois dedo na boca. uma pessoa anônima qualquer encheu de ar uma camisinha (coisa de borracha que serve pro homem não colocar larva na barriga da mulher e pra um não passar doença pro outro) e jogou pra cima bem feliz. fiquei olhando a camisinha cheia de ar e pedindo pra todo santo que eu conheço pra ela não descer na minha cabeça pra eu não ter que jogar ela pra cima também e ficar sorridente igual ficava todo mundo que jogava ela pra cima. aí eu acho que os santo funcionaram e ela não veio pra mim. ela foi lá pra frente onde o Pagodemos tava se sentindo muito lisonjeado com os aplauso (palavras dele). ele riu da camisinha cheia de ar, pegou na mão e o Seu Prestimoso chamou o cara das foto. o cara das foto foi lá e fotografou o Pagodemos com a camisinha cheia de ar na mão. algum tempo depois eu vi essa foto num jornal que é onde eles colocam coisa importante que todo mundo tem que saber. a foto enchia metade de uma folha grande daquelas que tem o jornal. podia ser eu ali, eu pensei. aí eu agradeci pros santo olhando aquela foto. é que tem que agradecer pra eles funcionar sempre bem assim igual televisão nova.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

relatório 28


todo mundo sabe aqui que as árvore são viva só que não fala e não anda. elas ficam só quieta onde nasceram e não sei se consegue escutar e ver mas se sim elas ficam escutando e vendo tudo que acontece em volta. tem umas que ficam fazendo isso por mais de mil anos (1 ano é 365 dias, 1000 anos é 365000 dias; isso sem contar ano bissexto, tem mais essa agora, ano que tem 366 dias (24h a mais, mais oito horas de sono), uma complicação lá). acho que seria bem bom se as pessoa fizessem isso também pra viver bastante. elas fazem de tudo pra viver mais tempo aqui. só que ficar parado sem andar e falar, igual árvore, elas não tentaram ainda eu acho. eu pra mim eu ia gostar bastante delas se elas ficassem assim. podia até dar comida na boca pralgumas e desejar uma feliz longa vida com um abraço bem apertado cheio de bons sentimentos e tudo.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

relatório 27


eles têm larva. as larva deles ficam correndo e rindo. elas gostam de rir, de brincar de bola, de boneca, de escondesconde e de pegaparalítico. quando tão bem pequena elas tem que ser carregada no colo, geralmente são as mulher que carrega, não sei, elas gostam mais disso que os homem. e quando não tão no colo as larva tão dentro de carrinho com roda que são empurrado por alguém enquanto a larva lá dentro fica chupando dedo (?) e esse tipo de coisa. eu li faz tempo que quando a larva ta crescendo na barriga da mulher ela come a comida que a mulher come, pega pra ela mesmo, e engorda com a comida dos outros. pra sair da barriga da mulher ela rasga a carne pelo mesmo lugar por onde entrou lá, ou então se não der pra sair assim tem que cortar a barriga com uma coisa afiada, fica cicatriz e tudo. as larva crescem daí e ficam igual os outros que ficam andando de duas perna, óculos de sol e cheiro de xampu. as larva vão crescer e as mulher vão guardar mais larva na barriga, os homem vão colocar as larva lá dentro. é assim que eles se espalharam e não pararam com isso ainda.

domingo, 4 de novembro de 2012

relatório 26


o velho de sunga azul veio e disse: tu pra essa idade é muito estranho sabia? aí eu perguntei por que e ele respondeu: por que sim, um baita de um hômi aí e com umas ideia de jerico. e como é as ideia do jerico? eu perguntei. aí ele respondeu: são estranha bem sem sentido igual as tua. e o jerico é de outro planeta também? eu perguntei, por que que ele ta aqui? eu to aqui pra ficar escrevendo pra lá pra minha terra, ficaram de vim me buscar mas pela demora acho que já esqueceram, sei lá, aí se o jerico fosse de outro planeta também eu podia falar com ele pra ver quando vão vim buscar ele pra ir de carona né, onde é que ele mora? o velho de sunga azul ficou olhando, coçou os pelo amarelo do peito depois limpou na sunga azul o suor que ficou na mão e disse: não to dizendo? jerico é burro, quero dizer que tu tem ideia de burro. eu respondi: ah, conheço um burro, o Deixaivir, nunca conversei com ele mas ele é de outro planeta mesmo. só que quando eu terminei de falar o velho de sunga azul nem tava prestando atenção mais, tava olhando um carrinho de picolé de fruta que passou no outro lado da rua. saiu correndo e gritando, balançando uma nota de dois pila na mão. a sunga azul fazendo sinal pros carro parar. os carro parando.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

relatório 25


e disse Pagodemos:

Quem aqui não tem aquela pessoa que ama, que precisa de nós até pra própria subsistência material? Que, como todos nós, precisa acordar pela manhã, abrir as cortinas e pensar: Bom diia soool! (abrindo os braço igual o boneco de porcelana pregado na cruz de porcelana do posto de saúde), bom diia vidaaa! (gritando alto empolgado, e as pessoa da primeira fila abre um sorriso todas elas e balançacabeça como se falasse: é verdade). Todos nós, não é? (falando baixo e sério de novo) Se não é uma pessoa, se não é o filho, o marido gigolô (risinhos femininos), a mulher querendo fazer as compras da semana (risinhos femininos) ou a sogra; se não é uma pessoa é um cachorro, um gato, um periquito que seja. O importante é ter essa consciência: Nossos dependentes dependem de nós (pausa prolhar na cara de todomundo) bonito isso, não é? (olhando pralguém lá da frente) Nossos dependentes DEPENDEM de nós. Só com isso eu já poderia considerar minha missão de motivá-los perfeitamente cumprida e ir pra casa assistir o canal de leilão. Mas vocês não vão se livrar de mim tão fácil assim, não é? (risinhos de todomundo. Pagodemos de calça social e tênis de corrida descontrai geral. eu não entendi a graça ainda e a minha bexiga parece que balança pralá pracá)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

relatório 24


aqui no corpo pode doer tudo. qualquer parte que a gente não sabe que existe a gente fica sabendo quando dói. e eu acho assim, não sei direito, mas eu acho que até o final do corpo todos os lugar dele, até aqueles que não dá pra ver nada de tão pequeno, vão doer um dia. hoje no meu corpo foi dia de doer perna. eu tava pedalando e elas doendo, as duas (ah é, a gente pedala em bicicleta que é uma bugiganga que tem duas roda de borracha que se mexe quando a gente faz o pedal rodar. acho que é isso. difícil falar assim). doeram até eu ficar com tudo girando estranho e eu quase desci da bicicleta e parei só que eu achei que aí sim elas iam ter mais tempo e fôlego pra doer. daí continuei pedalando e quando cheguei em casa deitei no chão e fiquei só assim olhando pra lâmpada. tinha um bicho pequeno de asa que encostava nela quente (eu sei porque eu já encostei também e não deu certo) se queimava e depois voltava pra encostar de novo. daí eu pensei: acho que o bicho acha bom sentir dor. minhas perna agora ainda tão doendo e eu tentando achar bom também aqui. só que não dá. ou é eu que tenho problema ou é o bicho.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

relatório 23


eu tava caminhando e olhando os muro. aí tinha um papel colado num muro que tinha coisa escrita assim:

Palestra Motivacional – Aprendendo a Viver na Direção Certa
com Pagodemos
O sucesso depende de você
"Não sabendo que era impossível,
ele foi lá e fez"

Sexta feira dia 12-10-2012
às 20:00 no Salão Municipal de Eventos
Entrada: 1kg de alimento não perecível

eu lirreli e decidi ir lá pra ver porque já era sextafeira dia dozededezdedoismiledoze. peguei um saco de farinha de mandioca que tava escrito 1kg. peguei lá do armário. acho que podia. aí fui lá e tinha um monte de gente entregando sacola branca e mais gente recolhendo e empilhando até em cima. lá dentro tava cheio de cadeira e tinha um palco lá com uns fio e tudo. tava todo mundo sentado daí eu fui sentar também né. escolhi uma cadeira bem no fundão pra ninguém ficar olhando sem eu saber que ta olhando. ta. sentado assim fiquei uma meia hora (trinta minuto. 60 segundo cada. fazasconta)olhando pra tudo que é lado, gente mastigando, criança chorando e gente saindo pra ir no banheiro (essas aí voltava sempre feliz). daqui a pouco o Seu Prestimoso entrou por uma porta ali em cima do palco que ficava assim no lado. tinha pintado os cabelo de novo ele. tavam bem preto. ele caminhou até o microfone (aparelho que faz gritar) bem se equilibrando, um pé depois outro. chic chic. ajeitou as gola da camisa bem rapidinho e mexeu a boca pralguém que tava lá dentro da porta do palco. eu não ouvi porque tava lonjão e tinha gente falando também mas ele disse: taligado? responderam que sim eu acho e ele falou no microfone usando mais nariz que boca:
Boa noite meus queridos amigos e amigas, é um prazer ver todos vocês aqui buscando aquele pedacinho que falta na vida da maioria das pessoas (acena pro lado direito e uma mulher gorda manda um beijo gordo pra ele. Seu Prestimoso estende a mão aberta e fecha ela no ar. beijogordo ali dentro).  Com o apoio da minha empresa Pingamasnãomolha, que eu creio que todos aqui conhecem, a quem não conhece peço encarecidamente que se dirija pra porta cor preta logo na entrada do salão, (uma mãe leva a criança e o pirulito da criança pra porta corpreta) trouxemos o maior especialista em gestão de pessoas desse país pra mostrar com quantos pau se faz um degrau, degrau pra vida que todos nós almejamos, alguns poucos já conseguiram galgar este degrau (enche o peito de ar e olha pra baixo soltando o que chamam de suspiro com uma tossidinha pra limpar a garganta logo em seguida) mas pra maioria que ainda tenta este feito, talvez de maneira errada, é que ele está aqui. Meu amigo de infância, admirador, modelo de pai de família, modelo fotográfico, filósofo, poeta, mestre em pedagogia, praticante de yoga, reiki e pingpong, técnico em hipnose, operador de cadeira elétrica, colecionador de caroços de azeitonas, maratonista tênis de ouro, campeão de rally dos sertões, cantor lírico, pandeirista mão de aço, secretário de cultura e, nas horas vagas, estudioso nas áreas de criptozoologia e álbuns de figurinhas: Pagodemos (as pessoa bate uma mão na outra tudo ao mesmo tempo, a mãe volta da porta corpreta com a criança meiolerda pela mão,a criança olhando pra frente e babando pelo lado da boca usa uma camiseta da Pingamasnãomolha com uma caneta da empresa também pendurada no pescoço por um cordão azul; o pirulito sumiu. um mendigo manco começa a correr pro palco. as mulher levantam as duas mão e canta cada uma uma música. um homem velho tira os óculos e começa a rir bem feliz, deixa cair a dentadura e nem percebe). Pagodemos vai andando e beija as mão do Seu Prestimoso. Muito bem meus amigos, o Seu Prestimoso diz, façam bom proveito das palavras desse homem , esse destruidor de barreiras (falando baixinho emocionado) e eu lembro da época das bolinhas de papel com cuspe no teto da sala de aula, e os espelhos, ah, os espelhos... (duas lágrima corre do olho esquerdo até o bigode e ele passa a língua aproveita e molha a boca). Seu Prestimoso desce do palco e vai sentar na cadeirarreservada da primeira fila. Pagodemos acena e acena e acena. vai até lá no microfone. levanta ele porque ele é mais alto que o Seu Prestimoso. começa a falar e falar e falar e falar e falar. palestreterna grandechata que eu vou escrevendo nos relatório daqui pra frente por que é chata de verdade. de verdade mesmo.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

relatório 22


foi vocês que foi lá né? a gente tava lá naquele lugar abandonado assim olhando a cidade quasinteira e também o céu e uns morro bem longe que deve ser bem grande. aí a gente viu um monte de luz branca assim em fila só que tava em cima dos poste então não era poste.
ela disse: vamo ficá olhando, eu disse: vamo acendê uma fogueira aqui daí de repente eles olham lá de longe e vem buscar a gente. e vinha de vez em quando uma luz bem forte lá de onde tavam as luz branca. a gente se distraía conversando sobre olha minha casa deve ser pra lá então a minha é pra lá, e sobre tem gente andando na areia da praia ó, e a gente falava também que aquela madeira ali é boa pra acender a fogueira um dia desses com um monte de gente em volta então não joga fora. quando a gente se distraía assim vinha a luz bem forte e a gente olhava pra lá bem rápido e as luz branca tavam no mesmo lugar. agora eu acho que não tão mais.
até que eu pensei em ir atrás das luz mas eu nem sabia onde era de verdade. ia ser mais fácil se tivesse latitudelongitude mas não tinha né, e se tivesse eu nem ia saber usar mesmo. vi num filme eles usando aqueles número tudo. até eu que só tava vendo de fora me perdi no meio deles. 
sei lá, a gente tinha mesmo era que ter acendido aquela fogueira.

domingo, 7 de outubro de 2012

relatório 21


uma nota pra gente lembrar mesmo. aqui é uma coisa que se usa e é uma das melhores também, junto com a caixa de papelão (o serumano até que dá umas dentro às vezes).
tem a vaca que é um bicho grande. o macho da vaca é o boi que também é um bicho grande mas agora eu só vou falar da vaca. a vaca tem umas coisinha embaixo que aperta e sai uma água branca. essa água (que eles chama de leite) é jogada em máquina e tudo pras pessoa comprar em supermercado dentro de caixinha de papelão (viu viu?) ou em saquinho assim de plástico. só que eles podem transformar o leite em outras coisa tipo queijo (coisadepão) e margarina ou mantêga (mais coisadepão, tem um relatório aí que eu explico do pão). a margarina ou mantêga (não é a mesma coisa porque não é) pode ser usada no pão e pra tirar mancha de graxa da roupa. graxa é uma sujeira preta que não sai da roupa. só mesmo com margarinoumantêga eu acho.
tem que pegar e passar na mancha e esfregar, esfregar, esfregar, esfregar. pode usar outras coisa também pra esfregar tipo umas coisa pra fazer espuma. só não pode faltar margarinoumantêga. aí esfrega, esfrega e esfrega e depois de esfregar todo esse monte a gente abre a roupa e a mancha de graxa não ta mais lá. depois só não dá mais pra comer a margarinoumantêga da roupa. tem que lavar e assistir tudo indo embora: água, espuma, graxa perdedora e margarinoumantêga vencedora. todo mundo aí, perdedora e vencedora, junta descendo o buraquinho que é quem vence todo mundo no final.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Saudação ao burro Deixaivir


comequieto morrecalado.
não tem quem queira.
não.
fugi pra pisar no chão que o diabo pisou.
conforto é bom e eu gosto.
minha turma é verde com raiz e tudo.
eu como ela.
cafédamanhã de doze hora.
almoço de mais doze e a janta sou eu mesmo.
depois da morte do corpumano eu vou.
transespacial sem piscina na atmosfera purgatória, graças ao bom Deuso.
levar Yann Tiersen pra escutar na viagem.
foi e levou um arbusto mais gordo.
puxou pela corda e ele andou mais que eu.
olhos mais clarobrilhantes o arbusto.
fazêoquê.
tem mais gente que burro alimentando os bichinho da terra.
tem mais gente que burro.
silêncio nas rua é uma coisa linda de vê.
não sei quem é mais arbusto.
o arbusto, eu ou eles.
só queria era dar casacomidaroupalavada a quem amo.
só que tenho casco e antena.
e tem mais gente que burro alimentando a verminosa ceia.
quando a coisa esquenta.
quando a coisa esquenta, ó, olhemosos os arbustosos andanteses.
eles entransãs em prédiosos como auxiliareses de escritóriosos.
como adêvogadosos comilanteses daquelasas primeirasas fatiasas de bolosos.
minha língua não alcança meu peito.
eu não sei me coçar como um cachorro.
não consigo enterrar minha cara.
alazão de asas: eu também não olharia pra baixo.
teu radar cobre finos horizontes.
ó grande olhador pra que são esses vítreos olhos?
e as antena longavibrantes? comer melhor. ponto.
a filhota morreu de papá bolacha Maria com água e girino.
Deixaivir, nunca mais comereis deste pão.
ireis prum bom lar, seu burro: iió.
eus e vós, nós sabemos que sim.
será a mais perfeita paisagem pra Yann Tiersen. podecre.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

relatório 20


eu tava de pé parado. o telefone do cara do banco falou: didilindindindindôw. ele apertou o botão daí ele disse assim: meu amor, é ruim quando tu me manda mensagem grosseresca assim. eu não atendi antes porque eu tava no trabalho pô. segurou o telefone no ouvido e depois disse: ta...aham...lógico...ta. mas o que tu acharia tu acharia bom se tu tivesse no colégio e não desse pratender também e eu mandasse pra ti: "ai eu te odeio quando tu me ignora no telefone"? é a mesma coisa. ta...beleza beleza...mas da próxima vez tu pensa um pouco, se eu sempre te atendo e não atendi agora eu não podia mesmo. assim não dá né.
ele aí olhou que eu tava olhando  e disse pro Meu Amor que ligava mais depois e beijotiamo.
eu continuei de pé parado e ele começou a apertar os botão igual um doido ali no telefone. daquiapouco o telefone falou de novo: dôwditôlimtumtum (era mais diferente que o outro lá). o cara olhou pra minha cara bem sério e levantou do banco pra ir encostar o ombro num poste que ficava lá longe. eu ouvi só ele falando: cara eu já to voltando, já to voltando. ta bom só vou pagar aqui e jájá to voltando. desligou o troço apertando outro botão e saiu andando bem rápido. acho que ele foi pagar né.
vi que no bolso da calça o telefone tava brilhando piscando e tenho quase certeza que aquilo queimava ele porque ele começou a andar mais rápido ainda.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

relatório 19


nos últimos dia meu cérebro que é humano soltou umas substância (que eu imagino que seja tipo água só que diferente) que fizeram com que eu ficasse triste. triste seilánãosei. porque o chão é escuro, o céu é azul, meus dedo são tentáculo com outro nome.
aí eu não sabia o que fazer pras substância sair do corpo. tentei ir no banheiro e ficar lá um tempão olhando umas figura que aparece do nada na parede. aí eu vi que não funciona isso. tentei fazer uma coisa qualquer tipo plantar um feijão no algodão, abrir a geladeira de vez em quando pracompanhar  o gelo ficando gelo lá dentro. não funciona nada. agora as substância tão aqui dentro ainda e eu igual um poço com água podre dentro. daí tem que esperar eu acho pra ver se o meu cérebro que é humano solta as substância que deixa feliz. ele faz quando quer. tem  botão nem nada pra fazer isso. tem uns que vem com defeito e nem faz. ah, e não dá pra trocar também, mais essa.

sábado, 29 de setembro de 2012

relatório 18


nas minhas mão agora uma carta de um ex funcionário do Seu Prestimoso. não vou dizer o nome dele porque ele disse pra não dizer o nome dele. vou copiar a carta inteirinha aqui:

Caro futuro amigo,


 Muito me espantei ao ler o seu pequeno relatório sobre o abominável Seu Prestimoso. Quero que fique claro que não tenho nada contra sua pessoa, se é que posso chamá-lo assim, pois entendo perfeitamente a origem de tamanha ingenuidade.

Seres como Seu Prestimoso têm a sinistra habilidade de enganar até o mais experiente indivíduo com seu riso fácil, sua suposta amabilidade, seus olhos brilhantes , suas roupas discretas e bem passadas. Entenda então esta carta não como alguma espécie de reprimenda e sim como um alerta de quem muito sofreu nas mãos desses assassinos de amor próprio.

Fui escravo, sim, escravo do Seu Prestimoso por um longo ano, e foi durante este ano que aprendi o quanto devemos nos esforçar por fugir de quem nos prende justamente por aquele ponto fraco de todos: o medo do abandono, da pobreza, da indigência. Seu Prestimoso é uma das muitas mãos que fazem o mundo girar não na sua direção natural e divina, mas na direção do sanguinário progresso, da farsa que é a luta pela sobrevivência. Essas mãos é que estendem o prêmio ao "vencedor" e que apertam a corda no pescoço daqueles desfavorecidos por essa sociedade de religiosos materialistas que já os condena à escravidão desde o nascimento, escravidão ou morte. É triste, ah, como é triste falar isso, ainda mais quando sabe-se que é a mais pura realidade. Seu Prestimoso sabe exatamente como agir para ser obedecido e nunca questionado, a técnica é a mesma de sempre, desde os tempos imemoriáveis das cavernas, passando por impérios forjados pelo suor de marionetes humanas, até os dias de hoje, dias do bom mocismo controlador. O mundo é um berço confortável para Seus Prestimosos.

Não se deixe enganar por lobos em pele de cordeiros, eles fingem acariciar suavemente sua pele quando na verdade estão engolindo até a última gota do seu sangue.

Meu amigo, levante todos os seus escudos quando estiver em contato com esse Seu Prestimoso ou qualquer outro indivíduo dessa alcateia. Vigiai, vigiai sempre...

 Muito bem, meu recado está dado, o recado de um amigo. 

Agradeço pela atenção e peço desculpas pela extensão da carta. Espero que não leve a mal este alerta.

Atenciosamente,

 (aqui ta o nome dele)


eu li tudo e já fui pegando papel e caneta pra escrever de volta pro amigo aí. e a resposta foi essa ó:

ta desculpado cara, não foi nada não

témais

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

relatório 17


um burro pastando. o nome dele é Deixaivir. eu passava por ele tododia às quatro da tarde e ele pastando e olhando assim pros lado porque os burro, os cavalo e esses tipo de bicho sempre tão olhando pros lado eu acho. quando eu passava pelo mesmo lugar de noite o Deixaivir não tava mais lá. é que o dono dele saía cedinho de casa e deixava o Deixaivir naquele mesmo lugar até começar a escurecer o céu. daí quando escurecia ele ia buscar. só não sei pra que ele fazia isso. ele fazia isso tododia.
acontece que de uns dia pra cá o Deixaivir fica lá sempre. de manhã eu passo por lá e o Deixaivir ta lá. de tarde também e de noite a mesma coisa. ele ontem arrebentou a corda que deixava ele amarrado naquele lugar. amarrado pelo pescoço. nenhuma diferença. ele continua só comendo bem triste. às vezes ele para de comer (às vezes eu paro pra olhar ele) e fica só olhando com as orelhona de pé. acho que esperando o cara vir pegar ele. mas (eu não queria que ele soubesse disso e tomara que ele já não saiba, se souber tomara que não faça diferença pra ele) eu sei que o cara não vai mais voltar.  decerto o Deixaivir começou a incomodar as outras coisa que o cara queria fazer em vez de ficar levandobuscando, levandobuscando, tododia-tododia. o cara decerto conseguiu um emprego ou mudou de cidade ou os dois e o Deixaivir não conseguiu emprego nem passagem pra outra cidade. o Deixaivir de tanto que já ficou naquele lugar as pessoa que passam pensam que ele é um arbusto daqueles que ele come. elas nem olham mais. eu tenho pena dele.
sei que aquelas orelhona são antenas. disso eu tenho certeza. não sei se ele sabe de mim também, mas vai saber. a gente vai embora junto daqui. até dou um lado do fone de ouvido pra ele.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

relatório 16


era um parque no meio do nada. tinha até um laguinho lá. laguinho não. era grande. cabia até o reflexo inteiro do sol lá dentro. tinha macaco pra caramba também. bicho gente. pega uma ameixa igual uma criança que já tem idade pra pegar ameixa. e um gramado assim enorme. acho até que bem lá antigamente uns dinossauro pastavam ali igual vaca de tão grande que era o gramado. e os mato eram fechado mesmo. nem precisava ser aberto. então. era assim.
 aí um lá chegou de bermuda e abriu um lugar pra vender sorvete e cerveja. começou a falar pra todo mundo e as pessoa começaram a chegar principalmente no domingo (primeiro dia da semana só pra relembrar). aí o lago não conseguia mais refletir o sol inteiro porque o reflexo ficava todo cheio de roupa de banho colorida e boia em forma de chapéu. colocaram umas mesa pra comer assim pelos canto do gramadão e nem os macaco conseguiam caminhar ali de tanta gente que ia ali pegar sol nas costa nem sei porque.
abriram uns caminho no meio do mato fechado: tinha gente de cidade que gostava de andar ali. botaram churrasqueira que serve pra queimar carne de bicho morto (churrasco é a palavra) e uma mesa. os macaco que eu acho que não gostaram muito disso. todo mundo levava comida pra eles e dizia: vem pegar na minha mão sua coisinha que parece gente. e eles iam lá e todo mundo aplaudia eles e achavam que eles tavam gostando só que eles só queriam era comida fácil.
a parte boa é que não tem mais dinossauro que precisa comer por ali. se tivesse eles não teriam nem espaço, nem uma companhia muito boa.

domingo, 23 de setembro de 2012

relatório 15


tenho que contar isso. ta fazendo cócegas aqui, hehe.
é que ontem eu vi uma daquelas estrelas que ficam viajando por aí. arrastando uns fogo atrás delas.  eu vi uma dessas. passou assim pelo alto e (me pareceu) caiu na Terra, mas bem lonjão mesmo.
fiquei pensando se não foi um dos nossos que foi mandado aqui pra me buscar. se foi eu peço que me avisem rápido assim eu vou arrumando minhas coisa dentro de uma caixa de papelão pra viagem. tenho três retratos e uma pilha de relatórios e registros do que eu já pensei e fiz por aqui. eu calculo que pela distância  que caiu a estrela e se não aconteceu nenhum acidente mais grave, os caras vão conseguir me alcançar daqui uns seis anos terrestres, calculando em dias dá 2190, algassim. mas daí eu já vou reservando minha bagagem aqui num canto. tem um lugar aqui onde eu moro que a gente pode guardar essas coisas e ninguém mexe. um depósito. só to falando por falar. pode não ser nada também. eu que não sei onde eles caíram certinho senão eu já pegava minhas coisa e a gente se encontrava pelo caminho. ia ser bem mais rápido. ia ser uns três anos terrestres. se quiserem podem me dizer onde eles tão pra acelerar tudo. enquanto isso eu vou continuar com os relatórios. uma distração.
hoje o telefone tocou três vezes e não faz uma hora que eu abri o olho. pela minha experiência  a caixa de papelão é uma das melhores invenções deles, o telefone é com certeza a mais irritante até agora: o progresso aqui não para.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

relatório 14


um cachorro sempre corre atrás de mim quando eu passo pela rua dele. ele mija num canto e no outro e pronto, a rua é dele. os humano colocam placa ou cerca. colocam o nome deles num papel da prefeitura (lugar chato cheio de gente chata que cuida da cidade, alguma coisassim) que diz: fulano é dono de tal lugar que mede tantos metros – e assim vai.

se alguém toma o lugar que no tal papel diz que é outro dono pode acabar numa gaiola gigante cheia de roupa secando na sombra e de cidadãos exemplares que dão de pau no joelho e bala na cabeça. eles ganham dinheiro pra fazer isso.

o cachorro chega de não sei de onde correndo igual um doido que corre muito. falando auauauaua-uauauauaua-auaua: auau. dialeto deles que só eles entendem certinho mesmo. acho que é: sai da minha propriedade agora ou eu enfio meus dente na carne da tua perna. e olha que os dente dele são afiado mesmo. mais que os meu. eu saio assim sem olhar no olho. eu li num lugar que eles ficam mais brabo se olhar no olho. até que não é diferente de alguns humano nisso. ele corre atrás de mim e-xa-ta-men-te até o mijo dele. já sei até onde começa e termina o lugar dele.

eu prefiro o método dos cachorro pra marcar o meu lugar. já tentei mas não funciona. um monte de gente invade assim mesmo e eu não vou meter meus dente em ninguém.

eles cheiram a carne podre.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

relatório 13


três refeições a cada dia é o certo. eles dormem e acordam e já vão pra primeira. é o que eles chamam de café da manhã. quase todos eles tomam uma xícara de café (é um estimulante, pra acordar mesmo, o que eu não entendo porque o meu maior estimulante é lembrar que mais tarde eu vou dormir) e um pedaço de pão (um troço pra comer que se faz no forno, tipo uma massa, sei lá) daí pode colocar mais um monte de coisa, uns nome tipo margarina, presunto, queijo e tudo, não vou explicar isso aí. depois tem o intervalo em que eles fazem só coisa besta. aí vem o almoço que é no meio do dia. o almoço tem bem mais coisa. tem carne de bicho, planta, ovo, arroz e feijão (que também são planta, parece). também dá pra colocar mais um monte de coisa. uns molho e tudo. depois intervalo com um monte de coisa besta e vem a janta. sobra do café da manhã, do almoço ou dos dois. às vezes eles fazem outro tipo de coisa pra janta. e tem uns que pedem comida da rua, de lugar que vende comida, pode ser pro almoço ou pra janta, tem gente que faz isso até no café da manhã, pra vê como é que é né. outros gostam mais de ir lá nesses lugar pra comer lá sentado nas cadeira deles. depois da janta tem mais coisa besta até todo mundo dormir pra esperar pelo café da manhã de novo.

sábado, 15 de setembro de 2012

relatório 12


o Seu Prestimoso é assim. muita gente chama ele de Honesto, Trabalhador e Bom Homem. tudo isso pode ser o nome do Seu Prestimoso. ele sempre agradece por ter chegado até aqui. té ensina a fazer igual. dia desses ele chamou um pessoal de filmagem pra acertar os valores (palavras dele) pra gravarem uma palestra motivacional que ele vai dar na empresa dele. ele pede com muita educação pros funcionário tudo assistir e aplaudir quando a mulher dele levantar o polegar atrás da câmera. se não aplaudir o RH vai ficar de portas abertas pra conversar individualmente sobre o futuro de cada um na empresa. essa motivação funcionou, todos eles disseram que vão aplaudir e até deram a ideia de dar um abraço coletivo no Seu Prestimoso no final da palestra. tem gente também que deu dica de trilha sonora presse final aí. 
bem bonito ver todo mundo motivado assim. esse Seu Prestimoso sabe mesmo como fazer as coisa. sorte minha que tem um monte igual ele por aqui.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

relatório 11


eu tava bem pequeno. recém nesse corpo. tinha uns sete anos que eu tinha ele. daí eu tava na escola, lá onde eles falam, falam, falam pra gente decorar coisas e tudo e aprender a viver, como eles dizem. eu tava na escola e começaram a dizer que eu gostava duma fêmea lá com a mesma idade que eu. e eu fiquei com vergonha. eu não gostava dela. daí eu falei que não gostava dela e eles começaram a rir mais. eu fiquei bem vermelho: quando o sangue sobe até a cabeça a gente fica vermelho. não sei assim certo quanto de sangue precisa pra ficar vermelho. mas eu fiquei bem vermelho e comecei a chorar porque eles riram de mim. a fêmea nem falava nada.
no outro dia era o meu aniversário. aniversário é quando completa um ano a mais, 365 dias, não sei quantas horas, que a gente tem esse corpo. isso acontece até a gente morrer. eles comemoram o aniversário cantando e comendo e recebendo coisas pra usar, pode ser qualquer coisa, meia, cueca, vaso de flor, bicicleta, qualquer coisa. ta. daí eles me chamaram no meu aniversário pra ficar na frente da turma com quem eu aprendia a viver, como eles dizem, pra cantar "parabééns praa vo-cêê ". eu fui lá e eles começaram a cantar e eu não sabia o que fazer. coloquei as mão assim pra trás porque não sabia o que fazer com elas também. eles cantando e cantando. eu fiquei todo vermelho de novo e todo mundo parou de cantar e um lá de trás disse: óóó, ta vermeelhoo!!! eu fiquei mais vermelho e a professora tava no lado rindo também. todo mundo começou a rir e eu escorreguei não sei como e caí de bunda no chão. eles riram mais. eu chorei não sei direito por qual dos motivos. só abri a boca e berrei forte de verdade e escorria água do olho e isso tudo. a professora me levantou, abraçou e disse: ahhh, ficou emocionado. me colocou sentado no meu lugar e depois eu não lembro mais. ainda bem. mas eu lembro que não achei legal ficar emocionado.
e é assim que eles ensinam a viver.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

relatório 10


choveu e todo mundo foi pra dentro pra baixo das coisa. teve uns que pegaram e estenderam uma proteção assim em cima da cabeça e ficaram andando por aí com aquilo em cima da cabeça. teve uns que fizeram cara de dor de pressa e ficaram correndo indo praquele lugar, aquele que sódeusabe e ficaram correndo mesmo tudo molhado já, como se tivesse mais alguma coisa pra molhar.
é esquisito porque eles correm da chuva, chegam em casa e vão pra baixo de um aparelho que faz água, eles vão pra baixo desse aparelho e começam a se molhar. tudo pelado. o problema pelo que eu vi então e fiquei pensando nisso é as roupa. eles não gostam de molhar roupa. não sei. ela seca, a roupa. coloca no sol ou na sombra ou deixa ali que demora mais mas seca. isso que a maioria (e esses que correm da chuva tão aqui dentro da maioria) tem uma caixa de madeira gigante cheia de roupa. é roupa e roupa e roupa. pra ver o horror que eles têm da chuva. molhou: troca. e tem que ter a reserva da reserva da reserva ali pronta pra emergência. é que a chuva não avisa sempre que vai cair e tem um cara dentro da tevê ou uma moça, um deles, não sei. tem essa pessoa lá dentro que serve pra avisar se vai chover ou não, pra ficar tudo preparado sabe? mas a chuva nem sempre acha que eles tão certo.
aí já viu o desespero, né.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

relatório 09


a privada ou vaso sanitário ou latrina também, é uma cadeira com um buracão no meio. ali a gente caga e mija. quando a gente caga é a comida que sai do corpo, quando mija é a água que sai e todos os líquidos também. a privada ou vaso sanitário ou latrina também, fica no banheiro, que é um lugar que as pessoas usam pra fazer o que as outras pessoas não podem ver mesmo com todo mundo sabendo o que é.
então, escrevi tudo isso aí pra dizer que hoje eu tava no banheiro sentado no vaso (pros íntimos) aí eu pensava e começava a me preocupar com uma coisa dessas que todo mundo se preocupa, eu tava preocupado e preocupado com sei lá o que sem importância. daí eu fui levantar, já tinha me limpado e tudo. fui levantar do vaso e senti uma fisgada bem no peito. tentei levantar de novo e senti de novo. fiquei assim sentado olhando pro papel sujo ali no lado dentro dum baldinho ali e vi meu rosto humano ali na mancha marrom, meu rosto humano sem antenas.
lembrei que eu vou morrer também. talvez na próxima vez que tentar me levantar.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

relatório 08


tem várias ruas por aqui que eu gosto de andar nelas. eu gosto dumas que são bem reta, bem vazia, bem grande. aí vou pro começo dela e começo a andar bem devagar e pensar um monte.
eu penso em como é estranho se reunir em volta de uma mesa pra comer em tal horário, mesmo se não tiver fome tem que pelo menos sentar e ficar ali, pra não fazer feio. e de noite que é quando eu gosto de andar só eu indo pra nenhum lugar todo mundo só sai mesmo pra ir pralgum lugar ou pra encontrar as outras pessoas e rir com elas e ficar todo mundo ali junto.
e eu penso também que eu tenho que ir num lugar que eu não quero ir daqui um mês, que eu tenho todo dia que fazer coisa que eu não quero fazer. eu sinto até vontade de vomitar só de pensar. daí eu me sinto mais perto deles e mais preso no chão.
quando o céu ta estrelado (com outros mundo e coisas do espaço aparecendo em forma de pontinhos brilhantes no céu escuro) eu costumo pensar: ora, se cada estrela for um mundo e se em todo mundo tiver gente fazendo um monte de coisa eu sou só mais um se achando o único. só mais um por aí achando que essas coisas que eu não gosto são enormes de grandes. sei lá, eu me sinto melhor assim.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

relatório 07


tem uma invenção que serve pra gravar no papel a cara da gente assim as coisa que tão acontecendo, é uma maquininha e tem várias delas de vários tamanhos. tem umas que têm um monte de botão. tem outras que têm um botão só. todas elas fazem a mesma coisa. uma pessoa fica com ela na mão e as outras fazem pose, se abraçam, fazem o que quiser. daí a pessoa que ta com a maquininha na mão aponta ela pros outros e aperta o botãozinho e às vezes sai uma luz forte, outras vezes não, às vezes dá até barulho quando aperta o botão. e depois disso, pronto. as pessoa tão ali dentro abraçadas ou fazendo qualquer coisa que elas tavam fazendo quando o botão foi apertado, pra sempre. dá pra colocar ela dentro de um quadrado e deixar parada ali, eles acham bonito. passam olhando aquilo ali, eles gostam. quando alguém morre de verdade, não morre dentro da imagem. fica rindo pra sempre, ou sério mesmo, ou fazendo isso ou aquilo. tem gente que faz a mesma coisa com objeto também ou com umas cena bonita que a gente vê e que passa rapidão. daí se fizer isso dá pra ficar vendo pra sempre.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

relatório 06


acho que eu já disse que tem ano, mês, semana, dia, hora e assim vai. a semana é dividida em sete dia e os dia em vinte e quatro horas. ta bom é assim por que disseram que é assim e deu. e cada dia da semana tem um nome. tem segunda, que tem esse nome por que é o segundo dia da semana. então já que é o segundo eu vou começar pelo primeiro dia que é domingo. tem domingo que a maioria não trabalha, uns ficam em casa dormindo e comendo assim com cara de sono. daí vem segunda. que é quando todo mundo trabalha e é quando adulto lembra que é adulto pra ganhar dinheiro e criança lembra que é criança e tem que estudar pra depois ganhar dinheiro. segunda todo mundo caminha bem bonito na rua. e vem terça que é o terceiro dia (!!!!). terça é meio nula mas existe lá no meio e todo mundo acha ótimo por que não é mais segunda. segunda e terça e aí. aí vem quarta e o mundo, roupa, fachada de casa, a pele das pessoa, tudo tem uma cor diferente mas eu nunca consigo esquecer que são 24 horas bem chatas e calculadas, só isso. quinta ta mais pra lá que pra cá. tudo ali no "preparar, apontar... " aí sexta é o "fogo"e tudo é lindo igual um sorriso bem doido na cara. pra sábado ainda continuar com esse sorriso doido aí. olha mundo tu é meu eu sou teu, acho que eles pensam. depois daí vem o primeiro dia de novo que é domingo.
e é mais ou menos tudo isso que acontece. só não sei ainda por que eles não começam a semana no quarto dia, dá pra arrumar pra ser assim. vai saber.

relatório 05


eu olho do outro lado da parede de vidro. dá pra olhar é transparente. daí eles tão fazendo uma filassim. tem um bem enrugado e barrigudo. camisa pra dentro. tem uma fêmea enrugada também, ela ta de batom e bolsa. cabelo curto e tingido (é queles não gostam de branco e o cabelo fica branco depois de um tempo, daí eles pintam, tem uma coisa que serve só pra isso). e tem mais gente. gente escutando música. no fone né por que barulho não pode ali dentro. gente assim. de todo tipo: tudo duas perna e dois braço.
daí um cara todo de boné e brasão e tudo disse "pópassá" e o primeiro da fila entrou numa coisa empurrando, daí ele empurrou e a coisa girou e daqui a pouco ele tava lá dentro.
tem que deixar os negócio que a gente carrega no bolso numa gaveta ali no lado senão a coisa não gira mesmo se empurrar bem forte. daí o cara do "pópassá" entrega pra pessoa de novo depois. daí a pessoa entra e senta nas cadeira lá e quando uns lá que ficam sentado atrás de uma mesa e uma máquina, uma tela assim, um monte de folha eles chamam, a pessoa senta na frente deles e ficam falando e falando, falando e falando. daí dão tchau voltesempre. saem pela coisa que gira, empurrando de novo e vão embora. aí não precisa deixar os negócio do bolso com o cara do "pópassá".

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

relatório 04


acontece com um monte deles. eles escolhem uma pessoa pra ficar no lado toda vida e fazer coisa junto. é um macho e uma fêmea normalmente. eles se veem daí se acham bonito e tudo ou um fala uma coisa que o outro gosta, sabe? daí começam a ficar sempre grudado, tocando boca com boca, quadril com quadril. se tocando mesmo. é um tipo de metamorfose. trocam umas argolinha de ferro que custa bastante dinheiro só pra marcar aquela pessoa como já sendo de alguém. eles carregam as argolinha no dedo e depois eles trocam por outras argolinha que custa mais dinheiro. daí quando eles vão entregar estas argolinha um pro outro eles tem que assinar uma papel dizendo que eles são um do outro (isso se quiser, pra ser um do outro, oficial mesmo, pelas lei). alguns deles fazem um ritual . o macho coloca roupa preta, assim bem arrumado e a fêmea uma roupa enorme de grandebranca. entram num lugar assim cheio de gente conhecida só prum outro lá dizer que eles são mesmo um do outro e se tiver alguém contra isso pode falar ali mesmo sob o olhar de deus todo foderoso e do seu abençoado filho que morreu por todos nós. nunca ninguém fala. daí eles se juntam  num mesmo lugar e têm filhote e consegue mais dinheiro e cansam um do outro.
depois uns deles se separam e procuram outra pessoa pra ficar junto pra sempre. outros ficam com aquele ali mesmo que é mais seguro e depois se acostumam e morrem assim.
é um horror.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

relatório 03


eles ficam de mal comigo, eu acho. nem sei por que. a linguagem deles é diferente, ou é a minha que é. eu tento aprender mas não dá. daí eu falo alguma coisa na linguagem deles que eu entendo como uma coisa diferente. aí eles entendem mal e eu falo mal e ninguém se entende. eu mando sinal pelas antena e é a mesma coisa que nada. mas eu percebo que quando eu faço isso um pardal pousa no fio aqui perto. um peixinho dentro do aquário chega mais perto pra me olhar assim de perto. eles não. eles pensam na linguagem aquela que eu não sei direito e vão pra longe. e como eu não chego perto também a gente acaba ficando bem longe. é um código doido. o que eu aprendi eu aprendi bem devagar. passoapasso. uma coisa de cada vez: di-da-ti-ca-men-te. só que não dá pra aprender tudo assim. tem coisa que eles sabem de cabeça desde sempre. tem coisa que eu sei de cabeça desde sempre. e o que ta na cabeça deles não entra na minha. e o que ta na minha cabeça não entra na deles.
não sei se deu pra entender. deu?

terça-feira, 28 de agosto de 2012

relatório 02


não sei ainda por que os machos não usam saia e as fêmeas não usam calça. ta bom, elas usam calça também, mas por que os machos não usam saia? é uma possível evolução futura dessa raça. uma coisa bem comum aqui é gritarem, olha, ele faz coisa de mulher, e logo depois caírem na gargalhada. algumas dessas vezes eu ri também pra gostarem de mim. eles fazem uma brincadeira e eu faço uma brincadeira também e todo mundo fica brincando por que o outro ali faz uma coisa de mulher. é assim que acontece.
o toque de recolher aqui fica à cargo do sol (como eles chamam). ele sobe, eles sobem. ele dorme, eles dormem. quando ele dorme eu fico trancado dentro de uma caixa de concreto com algumas entradasaídas. fico andando e sentindo frioucalor dependendo da percepção que o meu corpo humano tiver do ambientexterno. todo mundo então ta sentindo frioucalor igual eu, eu penso. por que todoscorpos tem uma disposição só né. por dentro é pulmão, fígado, estômago, baço, testino, etc. por fora é olho, mão, perna, pele e tudo isso aí. se nasce um corpo em que falta alguma coisa ou em que sobra alguma coisa é um corpo doente e durante a vida vai fazer algumas coisas meio diferente sabe? aí dependendo do que sobra ou falta ela pode durar igual uma pessoa que tem tudo que tem que ter. tem até uns jeito agora pra fazer elas durarem mais. depois disso todo mundo morre: começa de novo, com novas pessoas.

Disfarce (relatório 01)


entre a boina e as antenas parece que eles preferem a boina. eles matam bicho com antena. eles pisam em cima. não que eles sejam grandes. os bicho com antena é que geralmente são pequenos. daí muitas vezes eles matam sem nem saber. outras vezes eles arrancam uma perna ou uma asa, ou até mesmo uma antena (!!!) pra ver quanto tempo o bicho dura assim. eles fazem isso e colocam o bicho assim entre o indicador e o polegar (os nome que eles deram pros dedo ó) e seguram na frente dos olhos pra ver se o bicho derrama uma lágrima ou faz alguma cara de dor sabe? mas o bicho nunca faz. ele morre bem quieto. ele não é bobo. daí eles jogam o bicho morto no chão. com o tempo o chão come o bicho morto. ou vem mais um monte de bicho com antena (quase sempre bem menores que o bicho morto) e comem ali mesmo eu acho. pode ser também que eles tirem uns pedacinhos bem pequenos e levem pra dentro dum buraco na terra que é onde eles moram. acho que eles guardam pra comer depois aí. não sei. e é por isso que eu to usando boina.

domingo, 26 de agosto de 2012

Poetando (!)


um locutor de olhar sublime. boa noite queridos ouvintes. Estamos aqui hoje com nosso poeta e grande amigo já aqui do nosso programa, senhor Paulo Stephan, boa noite Paulo. olá, olá ouvintes da rádio, prazer vir mais uma vez a esse programa maravilhoso, bem amado e edificante, agradeço pela grandiosamorosa oportunidade. a gente que agradece. pode começar então com aquele que tu tava me mostrando ontem. eu to com borboletas na alma por causa dele. sim, eu tava pensando nele agora mesmo. foi dedicado a uma pessoa: viu? é pra ti, eu sei que tu sabe que é pra ti (falando com uma possível ouvinte emocionada em algum lugar.)

Minha querida
Sentado no meu sofá
Olhando pro teto
Nele eu vejo teu rosto a sorrir
Pedes-me pra ficar
Teus olhos são estrelas, teu sorriso o sol
Possível é pensar algo mais ao contemplá-los?
Eu – te – amo
Te amo com a ternura da infância
Com o pecado de toda paixão humana
Eu – te- amo
E o meu amor é azul como seu olhar
Azul como o céu
A ti me vou
...

lindo, lindo, Paulo. essa doçura sempre presente nos teus poemas né? é a minha inspiração, meu amigo, poeta que sou. antes que eu me esqueça gostaria de pedir pros ouvintes me adicionarem lá no fêice. só procurar Paulo Stephan. Stephan. ésse-tê-é-pê-agá-a-êne. tem muito mais poesia lá, pra encantar seu dia. se quiserem adquirir meu livro, Poetando, é só entrar em contato pelo mural lá no fêice.
isso aí meu amigo. vamos pros nossos patrocinadores agora e depois voltamos com mais poesia de Paulo Stephan. já, já, não deixem de ouvir e se emocionar, hehe.

sábado, 25 de agosto de 2012

Pra sempre



sobre os bons amigos. gostaria de dizer antes de tudo que a amizade é duradoura por um natural entrelaçamento de mentiras e meias verdades formando dessa forma uma espécie de obra de arte já pronta onde falta apenas a assinatura do autor seja ele o verdadeiro ou o falso. assinemos. e amém pra mim.
por que tu andassim esquisito ultimamente? dá bola pra mim não. e vê se tira a mão da minha mão. ta sabendo que a entrada da cidade vai mudar lá pronde era a periferia? a cidade vai andar com a cabeça e pensar com as perna parece. magina aquele monte de coitado que pagaram super caro por um apartamento central. eles vão ser periferia agora. aposto que nem tão procurando uma gangue ainda. a gente tem que ter postura central agora, shuaha. poisé, eu ouvi falar. tão até asfaltando umas rua lá perto né? aham. mas agora é sério. por que tu andassim meio esquisito ultimamente?
não é tu, sou eu. ta bom pra ti assim? aham. ótimo, agora tira a mão da minha mão.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O principal problema


o mundo é injusto não por causa dos milhões de miseráveis. esfomeados. barrigas de vermes. peitos murchos empoeirados. não. não.
é que o cebolitos não tem gosto de cebola. é que eu com o meu cebolitos na fila do supermercado não ganhei a glória de passar na frente do casal com suas imensas compras de casal. é que o cebolitos custando R$ 2,02 eu entreguei R$ 2,10 e o caixa me devolveu R$ 0,05. eu escolheria uma bala de café se me perguntasse. falta de consideração. a bala de café não custa R$ 0,08. só que poderia custar se o cliente sempre tivesse razão. ei querida, a bala de café custa os R$ 0,08 exatos do meu troco, né? sim, senhor, bem lembrado. o senhor é muito inteligente e bonito. bem, são seus olhos azuis, minha linda.
mas o mundo é injusto.

Lição de vida


é inspirador quando um poeta consegue deixar a casa da mãe por que escreveu o poema imortal.
mãe, o poema aquele, eu mandei pro editor. ele adorou. meu rapaz, ele disse, você (ele é lá de Sampa, lá onde eles gravam novela e tudo) é provavelmente a grande voz literária deste século. to indo pronde as coisacontece, mãe. sabia que um dia tu ia ser o orgulho da família. manda notícia, e dá um abraço no Faustão por mim. vê se bota um óculos nessa cara pra ficar mais com jeito de poeta. e bota a camisa pra dentro também. ta bom, mãe. qualquer coisa pede ajuda pro pessoal da televisão que eles gostam de artista. e ele entra num carro preto com vidros pretos. assim parte pro futuro. luz no fim do túnel. a vizinhança alegre se despede.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Conciliação


vizinhos brigam por causa do chuchu que atravessou a cerca. tire o seu chuchu da minha propriedade, seu mau!! ninguém respeita ninguém nessa cidade? de fato, hoje é um chuchu, amanhã pode ser uma melancia. ninguém precisa se exaltar. um processo vai demorar anos pra ser concluído. aquele olhar conciliatório da juíza deixa qualquer um nervoso. eu só falo sobre chuchu na presença do meu adêvogado.
estamos presentes na presença da justiça de Deus e dos homens. cara, a gente pode fazer um sopão comunitário de chuchu. é fácil, rápido e alimenta bem. tem sustança, como diria a minha mãe. susshtança!!

domingo, 19 de agosto de 2012

Manifesto


minha gente.  dá pra fazer bandeira com qualquer coisa mesmo. a melhor bandeira do mundo seria uma toda branca com a minha cara flutuando lá dentro. a boina cinza meiscurecida por que a foto original foi tirada na frente do banheiro. meio da noite. só a luz amarela do quarto brilhando. recorte malfeito. arrancando a cabeça do contexto em que a cabeça ta. balançando a minha cabeça na esquina da praça XV. beija a bandeira moço, ela ta bem limpa e olha que linda ela é.

Mosca grande


criança de bicicleta na rua. lindinha como a larva de uma mosca.
quando eu crescer eu vou ser grande que nem aquele hômi ali. o hômi é grande que nem o inferno deve ser. e olha que o inferno é grande que eu sei. tem um monte de demonho bem grande lá dentro. mostrou no desenho os demonho. um mais feio que o outro. com beição e chifrão. quando eu ficar grandassim eu vou comprar o aviãozinho de controle remoto que o Seu Oscar faz. custa maidemil. nem o pai tem dinheiro assim. ele disse que não.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O Menino


el niño: o menino: aquecimento anormal daságuassuperficiais e subssuperficiais doceano pacífico equatorial. turista fêmea fala pra turista macho na beira da praia enquanto este último bebe lentamente de uma lata de kaiser e abre o pote de sorvete cheio de farofa de galinha. mô, notou a mudança dos padrões do vento e o aumento de temperatura por aqui? poisé, ele responde, tava pensando nisso nesse exato momento, deve ser o el niño, né? alcança a colher aí que ta debaixo do bronzeador de cenoura.

Jingle


vamolá que eu pago cinqüenta pila mas tem que ser bem popizinha. aquela da novela é boa. todo mundo com a cabeça nela. ela na cabeça de todo mundo. aí as pessoa vão decorar meu número. elas vão pra frente da urna e ficam cantando. muito melhor que usar papelzinho. reclamam mas gostam. mão na roda. o volume faz parte. aprendi na igreja mundial do reino de deus. televangelismo foia maiorinvenção depois do fogo. as criança tudo cantando a musiquinha do tio do som. aquele com a foto da simpaticíssima pessoa sorridente no vidro do carro. taram taram.

Um. Depois outro.


Fila de espera do dentista. Ele lê as dicas de saúde bucal da parede.
Escovar os dentes é uma chatice, assim como todo o processo digestivo. O ideal seria 63 mastigadas pra cada porção enfiada na boca. Tentei já. A comida vira um suco. Suco de arroz, feijão e carne moída. Olhando parece extremamente nojento. Ninguém diria só olhando que teria sabor de arroz, feijão e carne moída. Tentei uma vez só. Haja paciência. É possível escrever um romance descrevendo o trabalho que os dentes fazem na pequena porção de comida durante as 63 mastigadas. Na última é dente com dente. Escovar os dentes é uma dissertação. Introdução, desenvolvimento e conclusão.
Sem bolsos nas calças nem na blusa, restam  a ele duas opções: cruzar os braços ou imitar o João bobo da frente dos postos de gasolina.
Mulher tem mais facilidade de lidar com situações parecidas. Vê a moça que simplesmente apoia o peso do corpo na perna direita. Os bolsos das calças são apertados demais até para as mãos dela. O cartão do plano de saúde ali. Ela sabe o que fazer com as mãos. No lado do corpo. Nem parecem coisas supérfluas. Peso.
Um atendimento até a vez dele no balcão. Ele apanha um folheto anunciando os novos cursos de idiomas na cidade:
Tem até italiano e francês.