domingo, 30 de dezembro de 2012

relatório 35


eu quando acordei eu olhei no espelho. a gente sempre tem alguma coisa esquisita quando acorda e olha no espelho. hoje eu tinha um bicho com asa grudado no cabelo. ele tava morto. nem dava pra ver quase. passei a mão e ele caiu na pia. liguei a torneira e ele foi embora pelo buraco da pia. aqueles bicho não serve nem pra feder quando morre, mas eles come outros bicho que come outros bicho que come outros bicho. por isso eles existe.
de repente os bicho igual que morava com ele viram ele preso no cabelo e não acharam nada. desde que ainda tenha dos nossos pra comer outros bicho ta bom, eles disseram decerto. é um estômago a menos só. o importante são os negócios. aí passaram voando, cumprimentaram ele ali preso e disseram: não se preocupa, fulana colocou um monte de ovo ontem, não vai faltar mãodeobra. aí o que tava no meu cabelo gritou: beleza, vizinho, já tava ficando agoniado de preocupação aqui, hehe. aí ele morreu e não fedeu e nasceu mais um montão pra comer no lugar dele. tudo calculado faz tempo já. não existe falência presse pessoal.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

relatório 34


e disse Pagodemos:

Imaginem, meus amigos, neste momento, que vocês estão segurando um delicioso sorvete de morango (as pessoa levantaram as mão igual quem ta segurando uma casquinha com sorvete de morango). Este sorvete é cremoso, tem sabor de morango porque é um sorvete de morango, claro (risadas. tem gente que já começa a cansar de segurar o sorvete de morango), às vezes ele é tão gelado que quando o colocamos na boca chega a doer, não é? Por isso temos que aproveitá-lo com calma, passando a língua suavemente sobre sua superfície e engolindo-o em quantidades controladas, mas sem nunca parar; o que acontece se pararmos? (ele aponta o dedo pruma mulher de cabelo liso, magra, loira e de óculos de sol, que já deixou o sorvete de morango cair na roupa pra coçar o joelho direito.todo mundo falou junto: derrete, teve uns que falaram: ELE derrete). Isso mesmo, o Pagodemos continuou, então temos que aproveitar este sorvete de morango que se chama VIDA, engolindo-o  em quantidades controladas mas sem nunca parar de engoli-lo, sob o risco de deixá-lo derreter lambuzando nossos dedos e nossa roupa; ninguém compra um sorvete de morango com esse objetivo, vocês compram? (nããão, em coro, bem musical). Imaginei, imaginei, ele continua. Aproveitem cada momento dos seus sorvetes de morango, de minuto a minuto ele derrete e queremos, quando chegarmos na casquinha crocante, a satisfação de ter tudo limpinho, limpinho, hehe. (quando ele terminou e ficou dez segundos sem falar nada todo mundo largou os sorvete de morango pra coçar o nariz. e o Pagodemos nem tinha segurado o dele ainda. tava derretendo já ali em algum lugar perto dele)

sábado, 8 de dezembro de 2012

relatório 33


o céu ta sempre vazio. quase sempre. quase tododia tem nuvem branca no céu, às vezes elas tão quase preta, aí é porque vai chover, mas às vezes não chove. de noite fica o céu escuro e quando não tem nuvem a gente consegue ver as estrela, um monte delas, flutuando bem lá em cima: onde mora gente igual eu: tem uns que tem como olhar lá de longe pra cá e ver tudo bem de perto. eles ficam olhando eu olhar e ficam pensando: eu te vejo e tu não me vê. eu fico pensando:  já que tu me vê, olha este corpo louco que eu tô, shuashua. e mostro os tentáculo que eu tenho na ponta dos braço, os dez. eles olham e ficam rindo lá com eles. pra eu saber que eles tão vendo tudo eles ficam se mostrando em areia da praia em desenho pequeno, eles ficam fazendo desenho grande em plantação, eles ficam aparecendo voando, às vezes jogando uma luz forte na cara das pessoa. elas ficam assustada ou nem param pra pensar nisso, elas tem que trabalhar daquiapouco. e eu também sempre tenho que trabalhar daquiapouco: eles tão olhando e rindo disso também.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

relatório 32


quando dorme a gente tem sonho, em qualquer planeta que se dorme. quem estuda os sonho diz que até quando a gente pensa que não teve sonho a gente teve sonho. eu sempre sonho que to numa plataforma no meio das estrela e que tem um palhaço correndo pra me pegar (palhaço é gente que pinta a cara e sai rindo e fazendo tudo que as pessoa daqui faz, E RINDO, essa é a parte assustadora). mas daí eu falo: pra fugir desse palhaço eu tenho que voar. eu saio voando e o palhaço começa a me xingar lá da plataforma no meio das estrela e a levantar os punho assim pro alto me ameaçando que vai me pegar e quando me pegar (-). aí o sonho acaba e o palhaço continua risonho na plataforma. mesmo xingando com raiva ele não parava de rir. esse palhaço tenta me pegar na rua onde fica a casa onde eu moro também. ele vem correndo lá da esquina e eu corro rápido com um monte de fôlego porque a rua não acaba nunca e eu to correndo sempre e sem morrer. só que numa hora a rua acaba e eu digo: hora de voar. eu saio voando e o palhaço xinga de novo e levanta os punho e ameaça as mesmas coisas de sempre: tudo rindo. e quando eu acordo eu vejo que ta escuro e que o palhaço não consegue me enxergar igual eu não consigo enxergar ele. 
e ta na paz já eu acho. acho que a gente agora corre mais por esporte que os médico sempre diz que é bom pra viver mais e tudo. "Manter o corpo hidratado e uma dieta bem balanceada; quanto mais colorida a refeição, melhor": isso também ajuda.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

relatório 31


Corvejária me chamou lá num canto. falou assim: tu não quer namorar comigo? eu lembrei dos homem e mulher de mão dada na XV, sentados lá, se lambendo às vezes, às vezes cada um olhando pra própria frente e se lambendo de novo. andando pra caramba de mão grudada mesmo. um não pode andar mais rápido que o outro senão é ruim, cansa e eles podem tropeçar também. aí eu acho que antes deles sair andando assim eles combinam: ó, perna direita primeiro, no três: um, dois, três. se não dá certo eles brigam. tu não me compreende, era pra ser no três, eles falam, não posso ficar com uma pessoa assim, eu mereço muito mais. aí se separam e não voltam mais, ou volta mais tarde. tem uns que fala: vou ficar contigo pra sempre já que ninguém consegue começar a andar com a perna direita primeiro, no três.
ta. aí a Corvejária falou: tu não quer namorar comigo? aí eu pensei rapidão e disse: claro que não. ela fez cara que ia chorar e falou com a voz trancadabafada bem baixinho: purquê??? cara, purquê??? no último purquê ela bateu forte o pé no chão e depois respirou bem forte esperando eu falar. aí eu falei: não gosto de namorar. ela saiu bem rápido e sumiu. as unha dela ela roía e tavam bem curtinha e pintada de roxo tudo descascado. aí uns dia depois eu fiquei sabendo que ela fugiu de casa com um namoradinho aí. tão dizendo que eles foram prum outro estado (atravessou uma daquelas linhas que tem nos mapa). o pai dela deixou uma folha com a cara dela num monte de lugar pra ver se alguém vê ela. acho que ela vai voltar com uma larva de gente na barriga, comendo a comida dela e crescendo até andar de pé com as duas perna. a Corvejária ainda aparece.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

relatório 30


eu fui obrigado a botar uma camisa preta com os botão fechado até em cima e uma calça preta também. amarraram uma gravata vermelha no meu pescoço por que as pessoa gostam que fique assim um pedaço de pano balançando pralá e pracá quando a gente anda. aí eu entrei junto numa fila de gente. homem tudo igual numa fila. mulher tudo igual na outra. só mudava a cor da roupa. a gente entrou depois das mulher, todo mundo andando bem devagarinho e as pessoa sentada nos lado cheio de gente tudo batendo uma mão na outra ao mesmo tempo. aí a gente sentou também nas cadeira que tinha pra gente sentar e foi umas pessoa na frente falar no microfone (aquele que faz gritar). falaram um monte de coisa; que vocês chegaram até aqui com muito suor; que vocês tem um futuro bem bonito pela frente; que vocês tem que continuar se esforçando cada vez mais; que vocês embora estejam saindo do nosso convívio escolar pra alçar voos mais altos, sempre vão estar na nossa lembrança e num lugarzinho especial aqui no peito; que uns aqui vão ser professores, outros vão ser vigilantes, outros carteiros, manicures, diplomatas, médicos, mas pra nós vocês sempre vão ser aquelas crianças e adolescentes ma ra vi lho sos que cresceram sob nossos olhares protetores; que qualquer coisa a escola vai estar de portas abertas pra vocês, qualquer coisa é só chamar sem hesitação. depois teve musiquinha, brigado pelatenção, fiquemprafesta. continuou a musiquinha e todo mundo teve que levantar e ir lá pegar um papel enrolado bonito, apertar a mão de um monte de gente e tirar foto com todo mundo. na minha hora veio uma luz na cara e eu tremi todo  e pensei que ia cair nas escada pra subir lá com eles. peguei o papel enrolado e tirei foto risonho com a velha entregadora de papel, ela perguntou: ta nervoso? eu respondi: mais ou menos. a foto foi bem na hora que eu tava falando "ou" e rindo pra luz da foto tudo na mesma hora. aí eu desci lá de cima com as pessoa fazendo barulho e fiquei esperando pelas próxima briga parecida que iam vim. depois elas vieram mesmo, e continuam vindo ainda. não dá nem tempo de parar de tremer.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

relatório 29


e disse Pagodemos:

Há duas coisas que ninguém perdoa (todo mundo quando ele falou isso já se preparou pra bater palma porque sabia que ia vim uma frase bonita de bater palma), suas vitórias e seus fracassos, sugiro então, que daqui em diante os senhores e as senhoras assumam o compromisso de não se deixar abater por qualquer coisa que não surja de suas próprias consciências. bonito isso né? (segurando o microfone com as duas mão e olhando pra platéia pra todolado. rindo sozinho.) Seu Prestimoso bateu uma mão na outra, esperou um segundo, bateu outra vez uma mão na outra e daí ele foi diminuindo o intervalo da bateção e todo mundo bateu uma mão na outra junto com ele. um rapaz assobiou alto no meu lado colocando  os dois dedo na boca. uma pessoa anônima qualquer encheu de ar uma camisinha (coisa de borracha que serve pro homem não colocar larva na barriga da mulher e pra um não passar doença pro outro) e jogou pra cima bem feliz. fiquei olhando a camisinha cheia de ar e pedindo pra todo santo que eu conheço pra ela não descer na minha cabeça pra eu não ter que jogar ela pra cima também e ficar sorridente igual ficava todo mundo que jogava ela pra cima. aí eu acho que os santo funcionaram e ela não veio pra mim. ela foi lá pra frente onde o Pagodemos tava se sentindo muito lisonjeado com os aplauso (palavras dele). ele riu da camisinha cheia de ar, pegou na mão e o Seu Prestimoso chamou o cara das foto. o cara das foto foi lá e fotografou o Pagodemos com a camisinha cheia de ar na mão. algum tempo depois eu vi essa foto num jornal que é onde eles colocam coisa importante que todo mundo tem que saber. a foto enchia metade de uma folha grande daquelas que tem o jornal. podia ser eu ali, eu pensei. aí eu agradeci pros santo olhando aquela foto. é que tem que agradecer pra eles funcionar sempre bem assim igual televisão nova.