quarta-feira, 17 de outubro de 2012

relatório 25


e disse Pagodemos:

Quem aqui não tem aquela pessoa que ama, que precisa de nós até pra própria subsistência material? Que, como todos nós, precisa acordar pela manhã, abrir as cortinas e pensar: Bom diia soool! (abrindo os braço igual o boneco de porcelana pregado na cruz de porcelana do posto de saúde), bom diia vidaaa! (gritando alto empolgado, e as pessoa da primeira fila abre um sorriso todas elas e balançacabeça como se falasse: é verdade). Todos nós, não é? (falando baixo e sério de novo) Se não é uma pessoa, se não é o filho, o marido gigolô (risinhos femininos), a mulher querendo fazer as compras da semana (risinhos femininos) ou a sogra; se não é uma pessoa é um cachorro, um gato, um periquito que seja. O importante é ter essa consciência: Nossos dependentes dependem de nós (pausa prolhar na cara de todomundo) bonito isso, não é? (olhando pralguém lá da frente) Nossos dependentes DEPENDEM de nós. Só com isso eu já poderia considerar minha missão de motivá-los perfeitamente cumprida e ir pra casa assistir o canal de leilão. Mas vocês não vão se livrar de mim tão fácil assim, não é? (risinhos de todomundo. Pagodemos de calça social e tênis de corrida descontrai geral. eu não entendi a graça ainda e a minha bexiga parece que balança pralá pracá)

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

relatório 24


aqui no corpo pode doer tudo. qualquer parte que a gente não sabe que existe a gente fica sabendo quando dói. e eu acho assim, não sei direito, mas eu acho que até o final do corpo todos os lugar dele, até aqueles que não dá pra ver nada de tão pequeno, vão doer um dia. hoje no meu corpo foi dia de doer perna. eu tava pedalando e elas doendo, as duas (ah é, a gente pedala em bicicleta que é uma bugiganga que tem duas roda de borracha que se mexe quando a gente faz o pedal rodar. acho que é isso. difícil falar assim). doeram até eu ficar com tudo girando estranho e eu quase desci da bicicleta e parei só que eu achei que aí sim elas iam ter mais tempo e fôlego pra doer. daí continuei pedalando e quando cheguei em casa deitei no chão e fiquei só assim olhando pra lâmpada. tinha um bicho pequeno de asa que encostava nela quente (eu sei porque eu já encostei também e não deu certo) se queimava e depois voltava pra encostar de novo. daí eu pensei: acho que o bicho acha bom sentir dor. minhas perna agora ainda tão doendo e eu tentando achar bom também aqui. só que não dá. ou é eu que tenho problema ou é o bicho.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

relatório 23


eu tava caminhando e olhando os muro. aí tinha um papel colado num muro que tinha coisa escrita assim:

Palestra Motivacional – Aprendendo a Viver na Direção Certa
com Pagodemos
O sucesso depende de você
"Não sabendo que era impossível,
ele foi lá e fez"

Sexta feira dia 12-10-2012
às 20:00 no Salão Municipal de Eventos
Entrada: 1kg de alimento não perecível

eu lirreli e decidi ir lá pra ver porque já era sextafeira dia dozededezdedoismiledoze. peguei um saco de farinha de mandioca que tava escrito 1kg. peguei lá do armário. acho que podia. aí fui lá e tinha um monte de gente entregando sacola branca e mais gente recolhendo e empilhando até em cima. lá dentro tava cheio de cadeira e tinha um palco lá com uns fio e tudo. tava todo mundo sentado daí eu fui sentar também né. escolhi uma cadeira bem no fundão pra ninguém ficar olhando sem eu saber que ta olhando. ta. sentado assim fiquei uma meia hora (trinta minuto. 60 segundo cada. fazasconta)olhando pra tudo que é lado, gente mastigando, criança chorando e gente saindo pra ir no banheiro (essas aí voltava sempre feliz). daqui a pouco o Seu Prestimoso entrou por uma porta ali em cima do palco que ficava assim no lado. tinha pintado os cabelo de novo ele. tavam bem preto. ele caminhou até o microfone (aparelho que faz gritar) bem se equilibrando, um pé depois outro. chic chic. ajeitou as gola da camisa bem rapidinho e mexeu a boca pralguém que tava lá dentro da porta do palco. eu não ouvi porque tava lonjão e tinha gente falando também mas ele disse: taligado? responderam que sim eu acho e ele falou no microfone usando mais nariz que boca:
Boa noite meus queridos amigos e amigas, é um prazer ver todos vocês aqui buscando aquele pedacinho que falta na vida da maioria das pessoas (acena pro lado direito e uma mulher gorda manda um beijo gordo pra ele. Seu Prestimoso estende a mão aberta e fecha ela no ar. beijogordo ali dentro).  Com o apoio da minha empresa Pingamasnãomolha, que eu creio que todos aqui conhecem, a quem não conhece peço encarecidamente que se dirija pra porta cor preta logo na entrada do salão, (uma mãe leva a criança e o pirulito da criança pra porta corpreta) trouxemos o maior especialista em gestão de pessoas desse país pra mostrar com quantos pau se faz um degrau, degrau pra vida que todos nós almejamos, alguns poucos já conseguiram galgar este degrau (enche o peito de ar e olha pra baixo soltando o que chamam de suspiro com uma tossidinha pra limpar a garganta logo em seguida) mas pra maioria que ainda tenta este feito, talvez de maneira errada, é que ele está aqui. Meu amigo de infância, admirador, modelo de pai de família, modelo fotográfico, filósofo, poeta, mestre em pedagogia, praticante de yoga, reiki e pingpong, técnico em hipnose, operador de cadeira elétrica, colecionador de caroços de azeitonas, maratonista tênis de ouro, campeão de rally dos sertões, cantor lírico, pandeirista mão de aço, secretário de cultura e, nas horas vagas, estudioso nas áreas de criptozoologia e álbuns de figurinhas: Pagodemos (as pessoa bate uma mão na outra tudo ao mesmo tempo, a mãe volta da porta corpreta com a criança meiolerda pela mão,a criança olhando pra frente e babando pelo lado da boca usa uma camiseta da Pingamasnãomolha com uma caneta da empresa também pendurada no pescoço por um cordão azul; o pirulito sumiu. um mendigo manco começa a correr pro palco. as mulher levantam as duas mão e canta cada uma uma música. um homem velho tira os óculos e começa a rir bem feliz, deixa cair a dentadura e nem percebe). Pagodemos vai andando e beija as mão do Seu Prestimoso. Muito bem meus amigos, o Seu Prestimoso diz, façam bom proveito das palavras desse homem , esse destruidor de barreiras (falando baixinho emocionado) e eu lembro da época das bolinhas de papel com cuspe no teto da sala de aula, e os espelhos, ah, os espelhos... (duas lágrima corre do olho esquerdo até o bigode e ele passa a língua aproveita e molha a boca). Seu Prestimoso desce do palco e vai sentar na cadeirarreservada da primeira fila. Pagodemos acena e acena e acena. vai até lá no microfone. levanta ele porque ele é mais alto que o Seu Prestimoso. começa a falar e falar e falar e falar e falar. palestreterna grandechata que eu vou escrevendo nos relatório daqui pra frente por que é chata de verdade. de verdade mesmo.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

relatório 22


foi vocês que foi lá né? a gente tava lá naquele lugar abandonado assim olhando a cidade quasinteira e também o céu e uns morro bem longe que deve ser bem grande. aí a gente viu um monte de luz branca assim em fila só que tava em cima dos poste então não era poste.
ela disse: vamo ficá olhando, eu disse: vamo acendê uma fogueira aqui daí de repente eles olham lá de longe e vem buscar a gente. e vinha de vez em quando uma luz bem forte lá de onde tavam as luz branca. a gente se distraía conversando sobre olha minha casa deve ser pra lá então a minha é pra lá, e sobre tem gente andando na areia da praia ó, e a gente falava também que aquela madeira ali é boa pra acender a fogueira um dia desses com um monte de gente em volta então não joga fora. quando a gente se distraía assim vinha a luz bem forte e a gente olhava pra lá bem rápido e as luz branca tavam no mesmo lugar. agora eu acho que não tão mais.
até que eu pensei em ir atrás das luz mas eu nem sabia onde era de verdade. ia ser mais fácil se tivesse latitudelongitude mas não tinha né, e se tivesse eu nem ia saber usar mesmo. vi num filme eles usando aqueles número tudo. até eu que só tava vendo de fora me perdi no meio deles. 
sei lá, a gente tinha mesmo era que ter acendido aquela fogueira.

domingo, 7 de outubro de 2012

relatório 21


uma nota pra gente lembrar mesmo. aqui é uma coisa que se usa e é uma das melhores também, junto com a caixa de papelão (o serumano até que dá umas dentro às vezes).
tem a vaca que é um bicho grande. o macho da vaca é o boi que também é um bicho grande mas agora eu só vou falar da vaca. a vaca tem umas coisinha embaixo que aperta e sai uma água branca. essa água (que eles chama de leite) é jogada em máquina e tudo pras pessoa comprar em supermercado dentro de caixinha de papelão (viu viu?) ou em saquinho assim de plástico. só que eles podem transformar o leite em outras coisa tipo queijo (coisadepão) e margarina ou mantêga (mais coisadepão, tem um relatório aí que eu explico do pão). a margarina ou mantêga (não é a mesma coisa porque não é) pode ser usada no pão e pra tirar mancha de graxa da roupa. graxa é uma sujeira preta que não sai da roupa. só mesmo com margarinoumantêga eu acho.
tem que pegar e passar na mancha e esfregar, esfregar, esfregar, esfregar. pode usar outras coisa também pra esfregar tipo umas coisa pra fazer espuma. só não pode faltar margarinoumantêga. aí esfrega, esfrega e esfrega e depois de esfregar todo esse monte a gente abre a roupa e a mancha de graxa não ta mais lá. depois só não dá mais pra comer a margarinoumantêga da roupa. tem que lavar e assistir tudo indo embora: água, espuma, graxa perdedora e margarinoumantêga vencedora. todo mundo aí, perdedora e vencedora, junta descendo o buraquinho que é quem vence todo mundo no final.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Saudação ao burro Deixaivir


comequieto morrecalado.
não tem quem queira.
não.
fugi pra pisar no chão que o diabo pisou.
conforto é bom e eu gosto.
minha turma é verde com raiz e tudo.
eu como ela.
cafédamanhã de doze hora.
almoço de mais doze e a janta sou eu mesmo.
depois da morte do corpumano eu vou.
transespacial sem piscina na atmosfera purgatória, graças ao bom Deuso.
levar Yann Tiersen pra escutar na viagem.
foi e levou um arbusto mais gordo.
puxou pela corda e ele andou mais que eu.
olhos mais clarobrilhantes o arbusto.
fazêoquê.
tem mais gente que burro alimentando os bichinho da terra.
tem mais gente que burro.
silêncio nas rua é uma coisa linda de vê.
não sei quem é mais arbusto.
o arbusto, eu ou eles.
só queria era dar casacomidaroupalavada a quem amo.
só que tenho casco e antena.
e tem mais gente que burro alimentando a verminosa ceia.
quando a coisa esquenta.
quando a coisa esquenta, ó, olhemosos os arbustosos andanteses.
eles entransãs em prédiosos como auxiliareses de escritóriosos.
como adêvogadosos comilanteses daquelasas primeirasas fatiasas de bolosos.
minha língua não alcança meu peito.
eu não sei me coçar como um cachorro.
não consigo enterrar minha cara.
alazão de asas: eu também não olharia pra baixo.
teu radar cobre finos horizontes.
ó grande olhador pra que são esses vítreos olhos?
e as antena longavibrantes? comer melhor. ponto.
a filhota morreu de papá bolacha Maria com água e girino.
Deixaivir, nunca mais comereis deste pão.
ireis prum bom lar, seu burro: iió.
eus e vós, nós sabemos que sim.
será a mais perfeita paisagem pra Yann Tiersen. podecre.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

relatório 20


eu tava de pé parado. o telefone do cara do banco falou: didilindindindindôw. ele apertou o botão daí ele disse assim: meu amor, é ruim quando tu me manda mensagem grosseresca assim. eu não atendi antes porque eu tava no trabalho pô. segurou o telefone no ouvido e depois disse: ta...aham...lógico...ta. mas o que tu acharia tu acharia bom se tu tivesse no colégio e não desse pratender também e eu mandasse pra ti: "ai eu te odeio quando tu me ignora no telefone"? é a mesma coisa. ta...beleza beleza...mas da próxima vez tu pensa um pouco, se eu sempre te atendo e não atendi agora eu não podia mesmo. assim não dá né.
ele aí olhou que eu tava olhando  e disse pro Meu Amor que ligava mais depois e beijotiamo.
eu continuei de pé parado e ele começou a apertar os botão igual um doido ali no telefone. daquiapouco o telefone falou de novo: dôwditôlimtumtum (era mais diferente que o outro lá). o cara olhou pra minha cara bem sério e levantou do banco pra ir encostar o ombro num poste que ficava lá longe. eu ouvi só ele falando: cara eu já to voltando, já to voltando. ta bom só vou pagar aqui e jájá to voltando. desligou o troço apertando outro botão e saiu andando bem rápido. acho que ele foi pagar né.
vi que no bolso da calça o telefone tava brilhando piscando e tenho quase certeza que aquilo queimava ele porque ele começou a andar mais rápido ainda.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

relatório 19


nos últimos dia meu cérebro que é humano soltou umas substância (que eu imagino que seja tipo água só que diferente) que fizeram com que eu ficasse triste. triste seilánãosei. porque o chão é escuro, o céu é azul, meus dedo são tentáculo com outro nome.
aí eu não sabia o que fazer pras substância sair do corpo. tentei ir no banheiro e ficar lá um tempão olhando umas figura que aparece do nada na parede. aí eu vi que não funciona isso. tentei fazer uma coisa qualquer tipo plantar um feijão no algodão, abrir a geladeira de vez em quando pracompanhar  o gelo ficando gelo lá dentro. não funciona nada. agora as substância tão aqui dentro ainda e eu igual um poço com água podre dentro. daí tem que esperar eu acho pra ver se o meu cérebro que é humano solta as substância que deixa feliz. ele faz quando quer. tem  botão nem nada pra fazer isso. tem uns que vem com defeito e nem faz. ah, e não dá pra trocar também, mais essa.