Corvejária me chamou lá num canto. falou assim: tu não quer
namorar comigo? eu lembrei dos homem e mulher de mão dada na XV, sentados lá,
se lambendo às vezes, às vezes cada um olhando pra própria frente e se lambendo
de novo. andando pra caramba de mão grudada mesmo. um não pode andar mais
rápido que o outro senão é ruim, cansa e eles podem tropeçar também. aí eu acho
que antes deles sair andando assim eles combinam: ó, perna direita primeiro, no
três: um, dois, três. se não dá certo eles brigam. tu não me compreende, era
pra ser no três, eles falam, não posso ficar com uma pessoa assim, eu mereço
muito mais. aí se separam e não voltam mais, ou volta mais tarde. tem uns que
fala: vou ficar contigo pra sempre já que ninguém consegue começar a andar com
a perna direita primeiro, no três.
ta. aí a Corvejária falou: tu não quer namorar comigo? aí eu
pensei rapidão e disse: claro que não. ela fez cara que ia chorar e falou com a
voz trancadabafada bem baixinho: purquê??? cara, purquê??? no último purquê ela
bateu forte o pé no chão e depois respirou bem forte esperando eu falar. aí eu
falei: não gosto de namorar. ela saiu bem rápido e sumiu. as unha dela ela roía
e tavam bem curtinha e pintada de roxo tudo descascado. aí uns dia depois eu
fiquei sabendo que ela fugiu de casa com um namoradinho aí. tão dizendo que
eles foram prum outro estado (atravessou uma daquelas linhas que tem nos mapa).
o pai dela deixou uma folha com a cara dela num monte de lugar pra ver se
alguém vê ela. acho que ela vai voltar com uma larva de gente na barriga,
comendo a comida dela e crescendo até andar de pé com as duas perna. a
Corvejária ainda aparece.