quinta-feira, 29 de novembro de 2012

relatório 31


Corvejária me chamou lá num canto. falou assim: tu não quer namorar comigo? eu lembrei dos homem e mulher de mão dada na XV, sentados lá, se lambendo às vezes, às vezes cada um olhando pra própria frente e se lambendo de novo. andando pra caramba de mão grudada mesmo. um não pode andar mais rápido que o outro senão é ruim, cansa e eles podem tropeçar também. aí eu acho que antes deles sair andando assim eles combinam: ó, perna direita primeiro, no três: um, dois, três. se não dá certo eles brigam. tu não me compreende, era pra ser no três, eles falam, não posso ficar com uma pessoa assim, eu mereço muito mais. aí se separam e não voltam mais, ou volta mais tarde. tem uns que fala: vou ficar contigo pra sempre já que ninguém consegue começar a andar com a perna direita primeiro, no três.
ta. aí a Corvejária falou: tu não quer namorar comigo? aí eu pensei rapidão e disse: claro que não. ela fez cara que ia chorar e falou com a voz trancadabafada bem baixinho: purquê??? cara, purquê??? no último purquê ela bateu forte o pé no chão e depois respirou bem forte esperando eu falar. aí eu falei: não gosto de namorar. ela saiu bem rápido e sumiu. as unha dela ela roía e tavam bem curtinha e pintada de roxo tudo descascado. aí uns dia depois eu fiquei sabendo que ela fugiu de casa com um namoradinho aí. tão dizendo que eles foram prum outro estado (atravessou uma daquelas linhas que tem nos mapa). o pai dela deixou uma folha com a cara dela num monte de lugar pra ver se alguém vê ela. acho que ela vai voltar com uma larva de gente na barriga, comendo a comida dela e crescendo até andar de pé com as duas perna. a Corvejária ainda aparece.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

relatório 30


eu fui obrigado a botar uma camisa preta com os botão fechado até em cima e uma calça preta também. amarraram uma gravata vermelha no meu pescoço por que as pessoa gostam que fique assim um pedaço de pano balançando pralá e pracá quando a gente anda. aí eu entrei junto numa fila de gente. homem tudo igual numa fila. mulher tudo igual na outra. só mudava a cor da roupa. a gente entrou depois das mulher, todo mundo andando bem devagarinho e as pessoa sentada nos lado cheio de gente tudo batendo uma mão na outra ao mesmo tempo. aí a gente sentou também nas cadeira que tinha pra gente sentar e foi umas pessoa na frente falar no microfone (aquele que faz gritar). falaram um monte de coisa; que vocês chegaram até aqui com muito suor; que vocês tem um futuro bem bonito pela frente; que vocês tem que continuar se esforçando cada vez mais; que vocês embora estejam saindo do nosso convívio escolar pra alçar voos mais altos, sempre vão estar na nossa lembrança e num lugarzinho especial aqui no peito; que uns aqui vão ser professores, outros vão ser vigilantes, outros carteiros, manicures, diplomatas, médicos, mas pra nós vocês sempre vão ser aquelas crianças e adolescentes ma ra vi lho sos que cresceram sob nossos olhares protetores; que qualquer coisa a escola vai estar de portas abertas pra vocês, qualquer coisa é só chamar sem hesitação. depois teve musiquinha, brigado pelatenção, fiquemprafesta. continuou a musiquinha e todo mundo teve que levantar e ir lá pegar um papel enrolado bonito, apertar a mão de um monte de gente e tirar foto com todo mundo. na minha hora veio uma luz na cara e eu tremi todo  e pensei que ia cair nas escada pra subir lá com eles. peguei o papel enrolado e tirei foto risonho com a velha entregadora de papel, ela perguntou: ta nervoso? eu respondi: mais ou menos. a foto foi bem na hora que eu tava falando "ou" e rindo pra luz da foto tudo na mesma hora. aí eu desci lá de cima com as pessoa fazendo barulho e fiquei esperando pelas próxima briga parecida que iam vim. depois elas vieram mesmo, e continuam vindo ainda. não dá nem tempo de parar de tremer.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

relatório 29


e disse Pagodemos:

Há duas coisas que ninguém perdoa (todo mundo quando ele falou isso já se preparou pra bater palma porque sabia que ia vim uma frase bonita de bater palma), suas vitórias e seus fracassos, sugiro então, que daqui em diante os senhores e as senhoras assumam o compromisso de não se deixar abater por qualquer coisa que não surja de suas próprias consciências. bonito isso né? (segurando o microfone com as duas mão e olhando pra platéia pra todolado. rindo sozinho.) Seu Prestimoso bateu uma mão na outra, esperou um segundo, bateu outra vez uma mão na outra e daí ele foi diminuindo o intervalo da bateção e todo mundo bateu uma mão na outra junto com ele. um rapaz assobiou alto no meu lado colocando  os dois dedo na boca. uma pessoa anônima qualquer encheu de ar uma camisinha (coisa de borracha que serve pro homem não colocar larva na barriga da mulher e pra um não passar doença pro outro) e jogou pra cima bem feliz. fiquei olhando a camisinha cheia de ar e pedindo pra todo santo que eu conheço pra ela não descer na minha cabeça pra eu não ter que jogar ela pra cima também e ficar sorridente igual ficava todo mundo que jogava ela pra cima. aí eu acho que os santo funcionaram e ela não veio pra mim. ela foi lá pra frente onde o Pagodemos tava se sentindo muito lisonjeado com os aplauso (palavras dele). ele riu da camisinha cheia de ar, pegou na mão e o Seu Prestimoso chamou o cara das foto. o cara das foto foi lá e fotografou o Pagodemos com a camisinha cheia de ar na mão. algum tempo depois eu vi essa foto num jornal que é onde eles colocam coisa importante que todo mundo tem que saber. a foto enchia metade de uma folha grande daquelas que tem o jornal. podia ser eu ali, eu pensei. aí eu agradeci pros santo olhando aquela foto. é que tem que agradecer pra eles funcionar sempre bem assim igual televisão nova.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

relatório 28


todo mundo sabe aqui que as árvore são viva só que não fala e não anda. elas ficam só quieta onde nasceram e não sei se consegue escutar e ver mas se sim elas ficam escutando e vendo tudo que acontece em volta. tem umas que ficam fazendo isso por mais de mil anos (1 ano é 365 dias, 1000 anos é 365000 dias; isso sem contar ano bissexto, tem mais essa agora, ano que tem 366 dias (24h a mais, mais oito horas de sono), uma complicação lá). acho que seria bem bom se as pessoa fizessem isso também pra viver bastante. elas fazem de tudo pra viver mais tempo aqui. só que ficar parado sem andar e falar, igual árvore, elas não tentaram ainda eu acho. eu pra mim eu ia gostar bastante delas se elas ficassem assim. podia até dar comida na boca pralgumas e desejar uma feliz longa vida com um abraço bem apertado cheio de bons sentimentos e tudo.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

relatório 27


eles têm larva. as larva deles ficam correndo e rindo. elas gostam de rir, de brincar de bola, de boneca, de escondesconde e de pegaparalítico. quando tão bem pequena elas tem que ser carregada no colo, geralmente são as mulher que carrega, não sei, elas gostam mais disso que os homem. e quando não tão no colo as larva tão dentro de carrinho com roda que são empurrado por alguém enquanto a larva lá dentro fica chupando dedo (?) e esse tipo de coisa. eu li faz tempo que quando a larva ta crescendo na barriga da mulher ela come a comida que a mulher come, pega pra ela mesmo, e engorda com a comida dos outros. pra sair da barriga da mulher ela rasga a carne pelo mesmo lugar por onde entrou lá, ou então se não der pra sair assim tem que cortar a barriga com uma coisa afiada, fica cicatriz e tudo. as larva crescem daí e ficam igual os outros que ficam andando de duas perna, óculos de sol e cheiro de xampu. as larva vão crescer e as mulher vão guardar mais larva na barriga, os homem vão colocar as larva lá dentro. é assim que eles se espalharam e não pararam com isso ainda.

domingo, 4 de novembro de 2012

relatório 26


o velho de sunga azul veio e disse: tu pra essa idade é muito estranho sabia? aí eu perguntei por que e ele respondeu: por que sim, um baita de um hômi aí e com umas ideia de jerico. e como é as ideia do jerico? eu perguntei. aí ele respondeu: são estranha bem sem sentido igual as tua. e o jerico é de outro planeta também? eu perguntei, por que que ele ta aqui? eu to aqui pra ficar escrevendo pra lá pra minha terra, ficaram de vim me buscar mas pela demora acho que já esqueceram, sei lá, aí se o jerico fosse de outro planeta também eu podia falar com ele pra ver quando vão vim buscar ele pra ir de carona né, onde é que ele mora? o velho de sunga azul ficou olhando, coçou os pelo amarelo do peito depois limpou na sunga azul o suor que ficou na mão e disse: não to dizendo? jerico é burro, quero dizer que tu tem ideia de burro. eu respondi: ah, conheço um burro, o Deixaivir, nunca conversei com ele mas ele é de outro planeta mesmo. só que quando eu terminei de falar o velho de sunga azul nem tava prestando atenção mais, tava olhando um carrinho de picolé de fruta que passou no outro lado da rua. saiu correndo e gritando, balançando uma nota de dois pila na mão. a sunga azul fazendo sinal pros carro parar. os carro parando.