eu tava de pé parado. o telefone do cara do banco falou:
didilindindindindôw. ele apertou o botão daí ele disse assim: meu amor, é ruim
quando tu me manda mensagem grosseresca assim. eu não atendi antes porque eu
tava no trabalho pô. segurou o telefone no ouvido e depois disse:
ta...aham...lógico...ta. mas o que tu acharia tu acharia bom se tu tivesse no
colégio e não desse pratender também e eu mandasse pra ti: "ai eu te odeio
quando tu me ignora no telefone"? é a mesma coisa. ta...beleza
beleza...mas da próxima vez tu pensa um pouco, se eu sempre te atendo e não
atendi agora eu não podia mesmo. assim não dá né.
ele aí olhou que eu tava olhando e disse pro Meu Amor que ligava mais depois e
beijotiamo.
eu continuei de pé parado e ele começou a apertar os botão
igual um doido ali no telefone. daquiapouco o telefone falou de novo:
dôwditôlimtumtum (era mais diferente que o outro lá). o cara olhou pra minha cara
bem sério e levantou do banco pra ir encostar o ombro num poste que ficava lá
longe. eu ouvi só ele falando: cara eu já to voltando, já to voltando. ta bom
só vou pagar aqui e jájá to voltando. desligou o troço apertando outro botão e
saiu andando bem rápido. acho que ele foi pagar né.
vi que no bolso da calça o telefone tava brilhando piscando
e tenho quase certeza que aquilo queimava ele porque ele começou a andar mais
rápido ainda.
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