sexta-feira, 21 de setembro de 2012
relatório 14
um cachorro sempre corre atrás de mim quando eu passo pela rua dele. ele mija num canto e no outro e pronto, a rua é dele. os humano colocam placa ou cerca. colocam o nome deles num papel da prefeitura (lugar chato cheio de gente chata que cuida da cidade, alguma coisassim) que diz: fulano é dono de tal lugar que mede tantos metros – e assim vai.
se alguém toma o lugar que no tal papel diz que é outro dono pode acabar numa gaiola gigante cheia de roupa secando na sombra e de cidadãos exemplares que dão de pau no joelho e bala na cabeça. eles ganham dinheiro pra fazer isso.
o cachorro chega de não sei de onde correndo igual um doido que corre muito. falando auauauaua-uauauauaua-auaua: auau. dialeto deles que só eles entendem certinho mesmo. acho que é: sai da minha propriedade agora ou eu enfio meus dente na carne da tua perna. e olha que os dente dele são afiado mesmo. mais que os meu. eu saio assim sem olhar no olho. eu li num lugar que eles ficam mais brabo se olhar no olho. até que não é diferente de alguns humano nisso. ele corre atrás de mim e-xa-ta-men-te até o mijo dele. já sei até onde começa e termina o lugar dele.
eu prefiro o método dos cachorro pra marcar o meu lugar. já tentei mas não funciona. um monte de gente invade assim mesmo e eu não vou meter meus dente em ninguém.
eles cheiram a carne podre.
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