sexta-feira, 28 de setembro de 2012

relatório 17


um burro pastando. o nome dele é Deixaivir. eu passava por ele tododia às quatro da tarde e ele pastando e olhando assim pros lado porque os burro, os cavalo e esses tipo de bicho sempre tão olhando pros lado eu acho. quando eu passava pelo mesmo lugar de noite o Deixaivir não tava mais lá. é que o dono dele saía cedinho de casa e deixava o Deixaivir naquele mesmo lugar até começar a escurecer o céu. daí quando escurecia ele ia buscar. só não sei pra que ele fazia isso. ele fazia isso tododia.
acontece que de uns dia pra cá o Deixaivir fica lá sempre. de manhã eu passo por lá e o Deixaivir ta lá. de tarde também e de noite a mesma coisa. ele ontem arrebentou a corda que deixava ele amarrado naquele lugar. amarrado pelo pescoço. nenhuma diferença. ele continua só comendo bem triste. às vezes ele para de comer (às vezes eu paro pra olhar ele) e fica só olhando com as orelhona de pé. acho que esperando o cara vir pegar ele. mas (eu não queria que ele soubesse disso e tomara que ele já não saiba, se souber tomara que não faça diferença pra ele) eu sei que o cara não vai mais voltar.  decerto o Deixaivir começou a incomodar as outras coisa que o cara queria fazer em vez de ficar levandobuscando, levandobuscando, tododia-tododia. o cara decerto conseguiu um emprego ou mudou de cidade ou os dois e o Deixaivir não conseguiu emprego nem passagem pra outra cidade. o Deixaivir de tanto que já ficou naquele lugar as pessoa que passam pensam que ele é um arbusto daqueles que ele come. elas nem olham mais. eu tenho pena dele.
sei que aquelas orelhona são antenas. disso eu tenho certeza. não sei se ele sabe de mim também, mas vai saber. a gente vai embora junto daqui. até dou um lado do fone de ouvido pra ele.

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